BRASÍLIA - A indústria registrou o melhor primeiro semestre dos últimos cinco anos, com recordes no faturamento real (alta de 8,4%) e nas horas trabalhadas (+5,9%) na comparação com igual intervalo de 2007. O uso da capacidade instalada (UCI) também ficou elevado, com média de 83% em nove meses até junho.

Os dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que apesar do pessimismo dos empresários da indústria de transformação com o câmbio baixo, que retrai as exportações de alguns setores, o foco direto no mercado doméstico tem se mostrado a aposta acertada.

Na avaliação do economista da entidade, Paulo Mol, o aumento da renda, a continuidade dos gastos do governo e o crédito em expansão são os fatores que mantêm a demanda interna ainda elevada e o otimismo das empresas também em alta.

O fato de as empresas estarem em plena carga é sinal positivo de que os empresários continuam concentrados na expansão do mercado interno, afirmou o economista.

Mol comentou ainda que os números oficiais mostram alta das vendas externas em função de um número menor de exportadoras, que têm exportado cada vez mais por melhores canais de distribuição consolidados. Segundo ele, é cada vez maior o número de empresas que abandona o mercado externo, priorizando o interno.

Ele comentou que apesar de certa acomodação em maio, quando os dados traziam o risco de desaquecimento, junho foi um mês forte e reacendeu a confiança.

O nível industrial de emprego, por exemplo, registra quase três anos seguidos de alta, acumulando de janeiro a junho aumento de 4,4%. Foi o melhor patamar para o primeiro semestre desde igual período de 2005, quando o aumento real (descontada a inflação) foi de 5,4%.

Também a massa real de salários, a despeito de recuo em 0,3% em junho sobre maio por causa da elevação da inflação, teve uma boa taxa de expansão no semestre, de 5,6%.

A maioria dos setores industriais mostra expansão em todos os indicadores, mas o automotivo, material elétrico e de comunicações e outros equipamentos de transportes (motocicletas, aviões, bicicletas) lideram o dinamismo geral.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

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