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Indústria tem maior recuo em 5 anos

Com a redução da atividade causada pela crise econômica, o nível de utilização da capacidade instalada da indústria (Nuci) recuou em novembro para 81,6%, mesmo nível de fevereiro de 2007. Em comparação com outubro, a queda no uso das instalações industriais foi de 1 ponto porcentual.

Agência Estado |

De acordo com o banco de dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), essa foi a maior retração da série histórica, iniciada em janeiro de 2003. Outro recorde negativo foi no emprego industrial. Em novembro, houve uma redução de 0,6% ante outubro, a maior em cinco anos.

A subutilização das instalações das fábricas e a retração no emprego são más notícias que aumentam a pressão sobre o Banco Central para promover, hoje, redução da taxa básica de juros, atualmente em 13,75% ao ano. O economista-chefe da CNI, Flávio Castelo Branco defende um corte de 1 ponto porcentual na Selic. "Concluímos que cair 1 ponto é uma sinalização importante que não coloca as metas de inflação em risco."

Para o economista, a política monetária tem se mantido inerte diante dos esforços de outras áreas do governo para impulsionar o crédito. "A política monetária tem que se mostrar ativa nos próximos meses. Praticamente todos os bancos centrais do mundo já baixaram os juros."

O faturamento real da indústria brasileira retraiu-se em 9,9% em novembro em comparação com outubro, na série com ajuste sazonal da CNI. "A queda da utilização acompanha o recuo do faturamento", comentou Castelo Branco. Na comparação de novembro com igual período de 2007, o faturamento caiu 7%. No acumulado do ano, entretanto, o indicador permanece positivo, com alta de 6,4% de janeiro a novembro em relação aos mesmos 11 meses do ano anterior.

Ele destacou que os setores mais atingidos pelo agravamento da crise no último trimestre de 2008 foram veículos automotores, metalurgia básica, máquinas e equipamentos e alimentos e bebidas. Apenas esses setores responderam por 62% de toda a queda de faturamento da indústria entre outubro e novembro. Eles também foram responsáveis por 48% do recuo das horas trabalhadas nessa mesma comparação.

Castelo Branco reconheceu que os efeitos da crise no setor produtivo se mostraram mais intensos do que era esperado. Por outro lado, disse ele, isso pode significar que a crise se concentre mais no tempo e tenha uma duração menor.

As horas trabalhadas na indústria também apresentaram queda de 1,5% em novembro ante outubro, na série com ajuste sazonal. No confronto com novembro do ano passado, porém, o número é positivo, de 1,4%.

O economista defendeu acordos entre empresas e sindicatos para evitar demissões, usando mecanismos já existentes na legislação trabalhista que permitem, por exemplo, reduzir a jornada de trabalho e os salários. Segundo ele, essas intervenções têm de ser vistas como fatos transitórios. "A crise torna necessária flexibilizações que permitem ajustes momentâneos e transitórios, que mantenham o vínculo de trabalho."

Castelo Branco acredita que até fevereiro deste ano deverão ocorrer ajustes no mercado de trabalho. Questionado se isso significa a defesa de novas mudanças na lei trabalhista, ele disse que podem ser usados os mecanismos existentes e, "se precisar, poderão ser estudados novos instrumentos emergenciais e temporários". As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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