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Indústria tem a maior queda em 13 anos

A crise internacional caiu como uma bomba sobre a indústria brasileira, que em novembro teve o pior resultado em mais de 13 anos. A produção encolheu 5,2% ante outubro, o maior recuo desde maio de 1995, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Agência Estado |

Os recordes negativos se avolumaram no cenário de reversão brusca para o setor. A queda de 6,2% ante novembro de 2007 foi a maior ante igual mês de ano anterior em sete anos. A indústria de veículos automotores despencou 22,6% ante outubro, o maior tombo em 17 anos.

"Houve um aprofundamento da queda industrial e alargamento dos setores atingidos", avaliou o coordenador de indústria do IBGE, Silvio Sales. Para ele, os resultados "mostram a excepcionalidade desse momento que atinge a indústria, que é mais intensa em bens duráveis e intermediários, mas se espalha para outros setores e tem a ver com a mudança de cenário na economia mundial, que deteriorou, no Brasil, as expectativas de empresários e consumidores".

Sales destacou a rapidez na piora do desempenho da indústria. Ele exemplificou que, levando em consideração a série com ajuste sazonal (dados ante o mês anterior), houve um recuo acumulado de 7,8% na produção em outubro e novembro, muito intenso para um período tão curto. Segundo ele, uma queda dessa magnitude só ocorreu no período de outubro de 2002 a junho de 2003, ou seja, um tempo muito maior. "Esses dados dão ideia da alteração brusca de cenário sobre o fluxo de produção", disse.

O mesmo crédito que vinha impulsionando a indústria desde 2007 foi o principal responsável pela virada em novembro. A produção de bens de consumo duráveis foi, das quatro categorias de uso pesquisadas, a que teve maior impacto, com recuo de 20,4% ante outubro e 22,1% ante novembro de 2007 - mais um destaque negativo, já que queda maior só ocorreu em maio de 1999.

Sales atribui o desempenho do setor de bens duráveis ao fato de ser mais sensível à redução do crédito. A queda foi puxada especialmente, na comparação com novembro de 2007, pelos automóveis (-34,2%). Segundo ele, esse setor foi o mais afetado pela súbita restrição de crédito. Isso desencadeou efeitos como férias coletivas e redução da produção. Houve queda também em eletrodomésticos (12,9%) e celulares (4,6%).

No caso dos veículos automotores (que inclui caminhões e jipes), o coordenador do IBGE observou que a queda na produção "tem um encadeamento com vários setores industriais, como o de autopeças e de aço".

Segundo ele, o desempenho nesses segmentos contribuiu para os resultados ruins na produção de bens intermediários - categoria de maior peso na estrutura industrial, que inclui aço, alimentos, têxteis -, com queda de 3,9% em novembro ante outubro e de 7,5% ante novembro de 2007, sob o impacto também da desaceleração das exportações.

Até mesmo os bens de capital, que vinham puxando a indústria junto com os duráveis e pareciam impermeáveis ao início da deterioração industrial, já apurada nos dados do IBGE de setembro, mostraram forte desaceleração em novembro, com queda de 4% ante outubro, apesar do aumento de 3,6% na comparação com novembro de 2007.

Em relação a novembro de 2007, os bens de capital para a indústria, que sinalizam os investimentos no setor, tiveram queda de 10,9% na produção em novembro ante igual mês de 2007, o pior resultado desde outubro de 2005. Os bens de capital para construção também caíram (8%), assim como bens de capital para uso misto, que inclui o setor de informática e cuja queda foi de 20,1%. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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