Tamanho do texto

SÃO PAULO - Movimentação no mínimo curiosa no mercado de juros futuros: A produção industrial de março ficou no teto das expectativas, mas os contratos apontam para baixo na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). O natural seria uma nova rodada de alta nos prêmios de risco, já que bons dados do lado econômico dão força à corrente de mercado que espera aumento superior a 0,75 ponto percentual na Selic na reunião de junho do Comitê de Política Monetária (Copom).

SÃO PAULO - Movimentação no mínimo curiosa no mercado de juros futuros: A produção industrial de março ficou no teto das expectativas, mas os contratos apontam para baixo na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). O natural seria uma nova rodada de alta nos prêmios de risco, já que bons dados do lado econômico dão força à corrente de mercado que espera aumento superior a 0,75 ponto percentual na Selic na reunião de junho do Comitê de Política Monetária (Copom). Por volta das 11 horas, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em junho de 2010 não era negociado. Já julho de 2010 marcava estabilidade, a 9,69%. Enquanto janeiro de 2011 tinha baixa de 0,07 ponto, a 11,12%. Entre os longos, o DI para janeiro de 2012 cedia 0,03 ponto, a 12,45%, depois de subir a 12,54%. Janeiro 2013 diminuía 0,03 ponto, projetando 12,68%. E janeiro 2014 recuava 0,04 ponto, a 12,61%. O sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi, comenta que o que acontece hoje é o clássico"compra no boato e vende no fato", ou seja, o mercado já esperava um dado econômico mais forte e se antecipou a ele; com a confirmação, o investidor embolsa os ganhos. Fora isso, diz o especialista, a expectativa de aumento na alíquota dos depósitos compulsórios (parcela de depósitos que os bancos não podem emprestar) ganha força no mercado, o que se for confirmado, tenderia a tirar pressão da curva, pois ajudaria o BC no ajuste da política monetária. Outro ponto sustentado pelo especialista é que as taxas tinham alcançado um patamar surreal, colocando no preço um cenário inflacionário muito ruim. Ontem, por exemplo, o DI Janeiro de 2011 fechou a 11,20%, maior taxa desde fevereiro de 2009. No entanto, explica o gestor, grande parte dessa piora no mercado futuro refletiu a falha de comunicação do BC com o mercado. Algo que começou com a má condução das pretensões políticas de Henrique Meirelles, e se agravou com as declarações recentes do presidente da autoridade monetária sobre a existência de"piloto"no BC. "O que vemos, hoje, é a correção de um exagero, mas o cenário para o mercado de juros ainda é de cautela", pondera Petrassi. Ainda de acordo com o especialista, o mercado também olha com preocupação a evolução do lado fiscal."Não adianta o BC continuar subindo os juros enquanto o governo segue ampliando gastos e capitalizando o BNDES." Na agenda do dia, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que a produção industrial cresceu 2,8% em março, enquanto as expectativas estavam dispersas entre alta de 0,9% a 2,5%. No confronto com o terceiro mês de 2009, o indicador subiu 19,7%, e fechou o trimestre com crescimento de 18,1%, no comparativo anual. Em 12 meses, contudo, foi registrada queda de 0,3%. Abrindo os componentes do índice, 19 dos 27 setores acompanhados mostraram crescimento. Entre eles, o gestor da Leme destacou os bens de capital, que apontavam avanço mensal 3%. O dia também contou com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) no município de São Paulo, que encerrou abril mostrando inflação de 0,39%, contra 0,34% em março. Os dados são da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). (Eduardo Campos | Valor)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.