SÃO PAULO - A indústria nacional segue aumentando a produção e está otimista com o futuro, porém o aumento dos estoques e a preocupação com a oferta de crédito podem significar uma desaceleração na atividade. O diagnóstico foi revelado hoje pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em sua Sondagem Industrial referente ao segundo trimestre deste ano.

De acordo com a entidade, o nível de produtividade registrou 56,5 pontos no segundo trimestre, uma alta de 0,3 ponto sobre o mesmo período de 2007. Pela metodologia da CNI, os indicadores variam no intervalo entre 0 e 100 pontos, sendo que os patamares acima dos 50 pontos indicam evolução positiva. Os setores automotivo e de refino de petróleo mostraram o melhor desempenho nos três meses encerrados em 30 de junho.

Com relação ao emprego, a CNI apontou alta de 1 ponto em relação ao segundo trimestre do ano passado, para 53,6 pontos, com destaque para os setores de álcool e de veículos. A utilização da capacidade instalada marcou 77 pontos, um crescimento de 2 pontos sobre o período entre abril e junho de 2007. Nesse quesito, a indústria de calçados, de plástico e de aparelhos elétricos mostraram melhor performance.

Entre as preocupações citadas pela CNI, que ouviu 1488 empresas, a evolução dos estoques, considerada indesejável, mostra que as vendas ficaram abaixo do esperado, o que poderá significar redução do ritmo de produção das grandes empresas, podendo se espalhar também entre as menores. No segundo trimestre, o indicador marcou 50,6 pontos, um salto de 0,7 ponto sobre um ano antes. Apenas no caso dos estoques, quanto maior o índice, pior a avaliação.

As grandes empresas, aliás, mostram maior preocupação com o acesso ao crédito, devido ao aperto monetário implementado pelo Banco Central. De acordo com a CNI, a satisfação dos grandes com a oferta de recursos caiu de 50 para 47,4 pontos em um ano. O índice total, que abriga indústrias de todos os portes, permaneceu estável em 46,4 pontos no período analisado.

Apesar disso, as indústrias brasileiras seguem satisfeitas com as margens de lucro operacional. No segundo trimestre, o índice que mede esse sentimento marcou 44,9 pontos, alta de 2,6 pontos contra igual intervalo do exercício anterior. A satisfação com a situação financeira também cresceu, passando de 49 para 51,7 pontos.

Diante de todos esses fatores, a sondagem mostra que o empresariado industrial segue otimista em relação ao mercado interno, com expectativa de crescimento da demanda para os próximos seis meses. Entre os mais animados estão os empresários dos setores de álcool, indústria extrativa e equipamentos de transporte. Apenas o setor de couros demonstrou pessimismo em relação ao crescimento da demanda.

Já a perspectiva quanto ao crescimento das exportações, que foi de 47,3 pontos no segundo trimestre do ano passado, permaneceu abaixo dos 50 pontos, ou seja, negativa, no primeiro (48,1) e segundo (48,1) trimestre de 2008.

Com informações do Valor Online e da Agência Brasil


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