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A indústria ainda é o setor de atividade que registra o maior atraso na recuperação das margens de lucro, enquanto o comércio tem o melhor desempenho. Pesquisa da Fundação de Desenvolvimento Administrativo (Fundap), vinculada à Secretaria de Gestão Pública do Governo do Estado de São Paulo, mostra que o ritmo de recuperação é díspar entre os setores.

A indústria ainda é o setor de atividade que registra o maior atraso na recuperação das margens de lucro, enquanto o comércio tem o melhor desempenho. Pesquisa da Fundação de Desenvolvimento Administrativo (Fundap), vinculada à Secretaria de Gestão Pública do Governo do Estado de São Paulo, mostra que o ritmo de recuperação é díspar entre os setores. Excluída a Petrobrás, a relação entre o lucro da atividade das empresas industriais e a receita líquida ainda é inferior ao padrão pré-crise: 13,3% no quarto trimestre de 2009 comparado com 16,4% do quarto trimestre de 2008. No comércio, a margem de lucro da atividade estava em 6,9% no fim do ano passado - mesmo patamar do ano anterior. Para as empresas dependentes do mercado interno, a crise passou praticamente despercebida. Foi o caso da fabricante de bebidas AmBev. As vendas da empresa bateram recorde em 2009, favorecidas pela sustentação da renda da população e pelo clima mais quente, que estimula o consumo de cerveja. O Ebitda (geração de caixa) da empresa foi superior a R$ 10 bilhões, 12,3% acima do ano anterior e superior à média de R$ 8,36 bilhões dos últimos cinco anos. Outro fator que contribuiu para o resultado foi a redução dos preços internacional das commodities provocada pela crise, que é matéria-prima dessa indústria. "Foi um ano excepcional e esperamos que 2010 seja ainda melhor", disse o diretor de comunicação da companhia, Alexandre Loures. Ele reconhece que, no início de 2009, era difícil fazer prognóstico e conta que a empresa "apertou os cintos", mas aplicou os recursos obtidos com cortes de custo em inovação. Segundo Loures, embalagens econômicas de bebida fizeram sucesso no ano da crise. Em outros segmentos, como na construção civil, o impacto foi severo no início da turbulência, mas a situação está completamente revertida. O presidente da construtora Gafisa, Wilson Amaral, conta que a crise pegou o setor "alavancado", após captações no mercado de ações para financiar o crescimento expressivo dos últimos anos. "O consumo das classes de renda média e alta se retraiu. Vendas de imóveis que demoravam 15 a 20 dias para fechar se estendiam por 90 dias", disse Amaral. Para o executivo, a intervenção do governo federal foi "crucial" para salvar o setor da crise. O governo ofereceu crédito barato as construtoras e criou o programa Minha Casa, Minha, que estimulou a demanda. O resultado foi que a Gafisa terminou 2009 com um crescimento de 17,5% no fluxo de geração de caixa, acima dos 14% de 2008 e superando até os 16% a 17% que a empresa havia projetado para o mercado. Para este ano, a empresa espera que o Ebitda fique entre 18,5% e 20%. Exportadores. Mas nem todos os setores tiveram um desempenho tão positivo. Empresas exportadoras ainda atravessam uma situação complicada. A fabricante de aviões Embraer não recuperou o ritmo de antes da crise. Os dados da Fundap mostram que a margem do lucro da atividade do setor aeronáutico como um todo estava em apenas 2,2% no quarto trimestre do ano passado, muito abaixo dos 18,8% do quarto trimestre de 2008. Companhias que enfrentam a concorrência dos importados também foram afetadas pela crise, apesar da robustez do mercado interno. O diretor-presidente da Vulcabrás, Milton Cardoso, conta que o ano de 2009 foi bastante complicado. "As importações começaram a entrar como um jorro", disse. No Brasil, a Vulcabrás fabrica os tênis Reebok. Ele afirma que, mesmo no auge da crise, o consumo interno de calçados no País crescia entre 2% e 3%. Mesmo assim, a empresa perdia participação de mercado e suas vendas caíam. A situação ficou delicada, porque a Vulcabrás havia feito um forte investimento e contratado 8 mil pessoas entre 2007 e 2008. "Decidimos não demitir, porque acreditávamos que a crise seria temporária", disse Cardoso. "A ociosidade das fábricas aumentou e a margem de lucro despencou". Margem de lucro. O nível de ocupação caiu para 70% e, no auge da crise, metade dos funcionários estava m em casa. A margem de lucro (lucro líquido sobre receita líquida) da Vulcabrás caiu de 12,4% em 2008 para 6,6% em 2009. Em outubro do ano passado, o governo brasileiro estabeleceu uma medida antidumping (concorrências desleal) contra a importação de sapatos chineses. E os resultados da empresa começaram a melhorar. As vendas voltaram a subir, o nível de ocupação da capacidade instalada das fábricas está hoje entre 80% e 85% e a margem de lucro atingiu 13% no último trimestre do ano passado. <i>As informações são do Jornal O Estado de S.Paulo.</i>

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