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Indústria prevê ajuste após as férias coletivas

O encerramento do período de férias coletivas torna praticamente inevitável a abertura de uma fase de demissão na indústria. Vai haver inflexão do mercado de trabalho no primeiro trimestre, não dá para saber ainda em que nível.

Agência Estado |

O grande desafio será atenuar os impactos do ajuste no emprego, um elo importante para a manutenção da demanda interna", diz o gerente-executivo de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flavio Castelo Branco.

Segundo ele, as férias coletivas foram um recurso da indústria para, ao mesmo tempo, tentar reduzir o nível dos estoques e aguardar uma mudança de cenário que indicasse o início de um processo de normalização internacional. "Não houve mudança, mas, pelo menos, também não houve nenhum solavanco negativo. A demanda externa continua enfraquecida, mas parece que o pânico passou", diz o economista.

Dezembro deve repetir o mau desempenho de novembro, quando a produção industrial caiu 5,2% ante mês anterior. Castelo Branco prevê um ano de dificuldades para a indústria, que teve um baque maior do que o de economias mais afetadas pela crise, como França e Estados Unidos.

Coordenador do grupo de pesquisa em Indústria e Competitividade da UFRJ, o economista David Kupfer identifica três quedas na produção industrial brasileira da magnitude da atual, a partir de 1991. A maior delas foi em maio 1995, durante o "efeito tequila" da crise mexicana na balança de pagamentos brasileira; as outras duas foram em novembro e dezembro de 1991, na ressaca do Plano Collor, que não conseguiu combater a hiperinflação. Nesse caso, o País ainda vivia o momento de incerteza política da fase pré-impeachment de Collor.

Nos dois períodos, foram necessários mais de 15 meses para o Brasil retomar o ritmo de crescimento anterior à queda. "Quedas mensais como a que ocorreu em novembro são um fato raro." Para Kupfer, a queda acentuada nos segmentos de bens de capital (produção de máquinas encomendadas para expansão da própria indústria) e de bens de consumo duráveis (segmento puxado por automóveis, eletrodomésticos e eletroeletrônicos) põe em xeque o futuro próximo do setor industrial.

Para os duráveis, Kupfer prevê estabilização, talvez em alguns meses, e retomada de crescimento, em ritmo mais lento. "Estava um pouco artificial o nível de produção de automóveis antes da crise", diz ele, para quem a grande incógnita é o segmento de bens de capital. "Não imagino que haverá tombo sobre tombo, mas uma estabilização e depois, talvez mais um semestre, volte a crescer."
As informações são da edição de domingo do jornal O Estado de S.Paulo.

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