Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Indústria mostra trajetória contínua de crescimento, aponta CNI

BRASÍLIA - Duas novidades positivas são apontadas pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) como destaques no forte dinamismo do setor verificado no ano até julho: o crescimento tem uma trajetória contínua, menos fugaz que em outras épocas, e é acompanhado do aumento de empregos, apesar da incorporação de novas tecnologias pelas empresas.

Valor Online |

A regularidade, mais do que a intensidade, é a grande diferença agora, afirmou o economista da entidade Paulo Mol. Os ciclos de crescimento que tivemos no passado foram mais efêmeros e transitórios, continuou.

Todos os indicadores divulgados hoje pela CNI na posição de julho mostram evolução favorável no ano e confirmam dados do IBGE que apontaram a pouca influência dos juros altos sobre a indústria de transformação até o sétimo mês do ano.

Fomos mais pessimistas do que o que de fato ocorreu no início do terceiro trimestre, observou Mol, citando que a indústria não sentiu desaceleração no dinamismo do mercado doméstico. A defasagem do efeito dos juros em elevação sobre a atividade produtiva é um pouco maior do que imaginávamos, complementou, com a ponderação de que, em algum momento, esse impacto ocorrerá, reduzindo o ritmo do crescimento industrial.

Ele informou que, em função dos números favoráveis até julho, a CNI, agora, espera um crescimento real da indústria entre 6% e 7% no ano, ante previsão divulgada em julho de 5%.

Os dados de hoje revelaram alta recorde de 9% nas vendas reais em 12 meses até julho e aumento de 6,1% na produção (medida pelas horas trabalhadas). Ao mesmo tempo, a massa real de salários subiu 5,6%, a utilização da capacidade instalada atingiu o patamar recorde de 83,5% na série livre de influências sazonais e o nível de emprego teve incremento de 4,4%, no mesmo intervalo.

A taxa de emprego expandir acima de 4%, anualmente, não é algo usual, comentou o economista da CNI. Na década de 1990, o país registrou períodos também fortes de expansão da atividade, mas com corte de vagas, continuou Mol, lembrando que a automação gerou um grande número de demissões.

No ciclo atual, destaca a CNI, há expansão do emprego com modernização tecnológica, sendo a qualificação de mão-de-obra o grande desafio atual dos empresários. Ele destacou que o número de vagas na indústria de transformação aumenta há três anos consecutivos.

O uso da capacidade instalada em níveis históricos reflete a intensificação da atividade e investimentos maiores na ampliação do parque fabril. O investimento está em alta desde o fim de 2006, aponta a CNI.

É o empresário olhando para o futuro, estimulado pelo contínuo aumento do consumo, comentou Mol, destacando que a Formação Bruta de Capital Fixo deve registrar taxas elevadas neste segundo semestre.

Para o economista-chefe da CNI, Flávio Castelo Branco, mesmo com esse forte crescimento ainda não se registra pressão sobre os preços. Segundo ele, as empresas estão suprindo a demanda aquecida e, portanto, não há falta de oferta, o que mantém os preços estáveis.

Castelo Branco comentou ainda que a indicação mais clara de que há uma maturação de investimentos é o fato de o uso da capacidade instalada ter ficado de oito a dez meses estável, ao redor de 83% até junho, embora os indicadores de produção e faturamento tenham avançado no período.

Houve um salto na atividade e o uso da capacidade instalada ficou praticamente estabilizado, comentou. Se os investimentos não tivessem ocorrido, a capacidade produtiva não teria dado conta, e os preços teriam aumentado, afirmou. Diante disso, ele avalia que o Banco Central (BC) tem elevado os juros acima do necessário. Há sinais de que a política monetária está apertada demais, pois o objetivo do Banco Central não é reduzir o ritmo do crescimento da economia, disse.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG