Os Estados do Nordeste estão se recuperando mais rapidamente da crise que as demais regiões do País. Analistas apontam o parque industrial rico na produção de bens de consumo semi e não duráveis (alimentos, bebidas, calçados) e intermediários (petróleo, metalurgia e produtos químicos), além da disponibilidade de renda em consequência de programas como o Bolsa Família, como motivos para o destaque dessa região na reação industrial.

Segundo dados do IBGE, enquanto a produção industrial na média nacional ainda estava, em janeiro, em patamar 4,9% abaixo de setembro de 2008, o Ceará já havia mostrado uma expansão de 10,6%. Dados positivos nessa comparação foram apurados também em Pernambuco (4,3%), Bahia (1,6%) e região Nordeste (reúne todos os Estados da região, com alta de 2,5%).

O mês de setembro de 2008 foi escolhido pelo instituto como base de comparação porque representa o último momento antes dos efeitos da crise sobre a indústria, no qual o setor operava em patamar recorde. O economista da coordenação de indústria, André Macedo, explica que os Estados do Nordeste têm, na sua estrutura industrial, segmentos que ou sofreram menos impacto das turbulências que marcaram o setor no ano passado ou que mostraram forte reação no segundo semestre de 2009.

O economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rogério Souza explica que a produção dos Estados do Nordeste apresentou recuperação bem antes do que em outras regiões do País. Segundo ele, o Ceará e a Bahia retomaram seu nível de produção de pré-crise já em novembro de 2009.

Em Pernambuco, de acordo com o Iedi, a recuperação veio ainda mais cedo e, em agosto de 2009, a produção pernambucana superava o nível registrado em setembro de 2008. Segundo ele, a Região Nordeste está sendo beneficiada, "em grande medida", por fatores que chama de "estabilizadores automáticos" que atuam como fatores anticíclicos (que induzem o crescimento) e que têm relação com políticas de renda políticas de renda como, por exemplo, o Bolsa Família.

De acordo com o IBGE, os segmentos que estão impulsionando a produção no Nordeste como um todo, segundo os dados de janeiro, são produtos químicos (sobretudo etileno e polietileno), refino de petróleo e produção de álcool e indústria metalúrgica. Nos casos específicos, o Ceará mostra destaque em produtos têxteis, por causa do aumento na fabricação de tecidos e fios de algodão; calçados e artigos de couro, sobretudo por causa de calçados de plástico femininos e produtos químicos.

Em Pernambuco, os destaques são a produção de pilhas e baterias elétricas para veículos, produtos químicos e metalurgia básica, enquanto na Bahia os maiores incrementos foram apurados em refino de petróleo e produção de álcool e metalurgia básica.

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