A indústria do luxo, que não havia sido atingida até agora pela crise econômica mundial, começa a descobrir o que o termo significa, principalmente nos Estados Unidos, onde o crescimento do setor se desacelerou no último ano. A tese de que o mercado dos artigos de luxo era à prova de recessões começa a ser combatida como conseqüência da crise financeira que atinge os EUA, fazendo com que o setor, que movimenta US$ 270 bilhões ao ano, note como é frágil a confiança de um consumidor que parecia imperturbável. O setor viu como um importante grupo de seus consumidores lhe deu as costas devido à crise. Disso não se pode duvidar, disse à Agência Efe Gregory Furman, presidente da Luxury Marketing Council, um grupo que reúne centenas de diretores de mais de 700 companhias dedicadas ao luxo.

No começo do ano, o sentimento generalizado entre as empresas do setor era o otimismo - graças a alguns resultados empresariais não muito agradáveis, mas tranqüilizadores.

No entanto, meses depois discursos como os de Furman indicam que o temor começa a se apoderar de uma indústria que, segundo os analistas, só crescerá este ano 2%, frente aos 6,5% de 2007.

O setor tinha despontado nos últimos 50 anos por seu crescimento e vigor, mas, nos últimos meses, os altos custos de fabricação de muitos artigos e a abissal diferença entre o euro e o dólar estão começando a atingir os balanços de muitas firmas.

Um exemplo desse problema são os resultados do último trimestre de uma das maiores empresas de varejo de artigos de luxo do país, a Saks, que divulgou esta semana prejuízos muito maiores do que o esperado pela maioria.

A Saks, uma das mais emblemáticas e seletas lojas de departamento da Quinta Avenida de Nova York, perdeu em seu segundo trimestre fiscal US$ 31,7 milhões, ou seja, US$ 0,23 por ação, 29% a mais que há um ano.

"Durante o último trimestre, experimentamos um enfraquecimento ao longo de quase todas nossas linhas de produto", reconheceu em comunicado Stephen Sadove, presidente da companhia, que busca medidas para reduzir a queda de suas vendas, como antecipar a temporada de liquidação.

Algo parecido ocorre com outras renomadas empresas varejistas, como Nordstrom e Neiman Marcus, que também mostram sinais de fraqueza, pois parece que muitos compradores mudam seus hábitos e passam a pensar pelo menos duas vezes antes de pagar US$ 150 mil por um casaco da Hermès ou US$ 2.300 por um chapéu da Dolce & Gabbana.

Furman, no entanto, se mostrou convencido de que o setor agüentará a tormenta, já que os consumidores mais leais e os que têm "uma carteira maior" continuam dispostos a gastar "com crise ou sem ela"; no entanto, como reconheceu, pode ser observada uma tendência dos consumidores em comparar e selecionar mais.

"Os 3,2 milhões de pessoas que vivem nos EUA com US$ 1 milhão ou mais em ativos financeiros continuam gastando o dinheiro como quiserem, mas pedem um serviço melhor pelo mesmo preço e comparam mais os preços durante as compras", explicou.

"As companhias dedicadas ao luxo, mesmo as que oferecem alta costura, viagens ou automóveis dos sonhos, devem planejar sua maneira de atuar, porque a concorrência é mais agressiva", disse Furman, que acredita que os compradores exigem agora que se explique melhor "a essência e o valor do luxo".

O presidente da Luxury Marketing Council reconheceu, além disso, que o segmento talvez mais afetado pela atual crise financeira é o imobiliário, já que "as casas de luxo já não são vendidas no mesmo ritmo de antes".

Um exemplo disso é que, neste verão (hemisfério norte), a venda de casas na região de Hamptons, perto de Nova York, se reduziu em 29% e o preço médio dos imóveis caiu 11%, até US$ 735 mil, em comparação à mesma temporada do ano anterior. EFE dvg/bm/db

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