Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Indústria de transporte aéreo perdeu R$ 346 milhões em 2007, diz Anac

SÃO PAULO - A crise e o caos no setor aéreo brasileiro em 2007 cobraram seu preço das empresas do setor. Afetada por problemas estruturais e, em alguns casos, pela má condução de seus próprios negócios, a indústria de transporte aéreo do país fechou no vermelho pela terceira vez em seis anos.

Valor Online |

Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o prejuízo do setor no ano passado foi de R$ 346,5 milhões. No ano anterior, a indústria havia registrado lucro de R$ 684,6 milhões.

As perdas são fruto de uma conjuntura extremamente ruim para a indústria e que, mesmo assim, não incorpora ainda um fator que deverá afetar ainda mais o balanço do setor neste ano: o alto preço do petróleo. No ano passado ocorreu o acidente com o Airbus da TAM em Congonhas, meio ano após a tragédia com o avião da Gol. Em ambos os casos, todos os passageiros morreram e foram levantadas sérias dúvidas quanto à qualidade do serviço de controle aéreo brasileiro e à segurança dos aeroportos, especialmente o de Congonhas.

A drástica redução nas operações de uma das grandes empresas do setor, a Varig, ocorrida um ano antes, também teve seu papel no resultado da indústria no ano passado. Mesmo com a compra pela Gol, a Varig reduziu dramaticamente suas operações, não chegando a consolidar o interesse do presidente da controladora, Constantino de Oliveira Júnior, que queria que a empresa voltasse a ser a principal operadora internacional do país.

Entre 2006 e 2007, houve um aumento de 37,2% nos custos operacionais da indústria brasileira, para R$ 12,43 bilhões. Embora tenha havido expansão na receita operacional, de 15,8%, para R$ 15,35 bilhões, isso não foi suficiente para sustentar o lucro bruto do setor, que recuou 30,2% para R$ 2,92 bilhões.

Considerando outras despesas da indústria aérea, especialmente despesas gerais e administrativas - entre elas gastos com hospedagem de passageiros não atendidos - o resultado operacional do setor fechou negativo em R$ 451 milhões. No ano anterior, a indústria havia apresentado lucro operacional de R$ 1,08 bilhão.

Os dados, que fazem parte do anuário estatístico da Anac, mostram ainda que houve um descompasso entre os aumentos na oferta e na demanda por transporte aéreo no ano passado. A oferta unitária, medida pelo número de assentos disponíveis multiplicada pelo total de quilômetros percorridos (ASK, no jargão), cresceu 13,8% no ano passado, considerando tanto as operações nacionais quanto as internacionais. Já a demanda unitária, calculada pelo produto entre o número de passageiros pagantes pelo total de quilômetros percorridos (RPK), teve expansão de apenas 6,9% - embora em números totais, tenha aumentado 7,9% o número de passageiros no sistema.

Essa diferença se traduziu para a indústria em uma média de ocupação de aeronaves de 68%, 6,1% menor que em 2006. E, embora o custo unitário (custo por ASK, ou CASK) tenha recuado 11,1% em 2007, essa queda na ocupação levou a uma receita unitária (yield) 11,4% menor em 2007.

Ainda que o setor doméstico tenha contribuído para esse cenário, foi o internacional que teve maior impacto sobre o resultado do ano passado. O prejuízo operacional com esse segmento no ano passado foi de R$ 706,8 milhões, 59,5% maior que no ano anterior, quando as perdas foram de R$ 443 milhões. Segundo a Anac, isso ocorreu por uma retração de 9,4% na demanda unitária (RPKs) contra um aumento de 1,3% na oferta unitária (ASKs). A ocupação, nesse período, caiu 10,6% para 67%. O lado positivo, porém, foi que houve um aumento de 11,7% na receita unitária (yield) no segmento internacional.

(José Sergio Osse | Valor Online)

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG