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O forte reaquecimento da demanda mundial por matérias-primas levou o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) a rever pela segunda vez este ano sua previsão de investimentos para o setor até 2014. A nova cifra, de US$ 54 bilhões, é 10,2% superior à estimativa anterior feita em janeiro e se aproxima do nível pré-crise mundial, quando a entidade trabalhava com investimentos de US$ 57 bilhões.

O forte reaquecimento da demanda mundial por matérias-primas levou o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) a rever pela segunda vez este ano sua previsão de investimentos para o setor até 2014. A nova cifra, de US$ 54 bilhões, é 10,2% superior à estimativa anterior feita em janeiro e se aproxima do nível pré-crise mundial, quando a entidade trabalhava com investimentos de US$ 57 bilhões. "O que antes imaginávamos que poderia acontecer no fim de 2011 ou em 2012 a gente já prevê que possa acontecer no início de 2011. Estamos antecipando essa recuperação em um ano", afirmou em entrevista exclusiva à Agência Estado o presidente do Ibram, Paulo Camilo. O principal destino desses investimentos será o setor de minério de ferro, que, em função da forte demanda chinesa e dos sinais de recuperação da siderurgia europeia, conseguiu emplacar este ano um aumento de 100% no preço do insumo comercializado em contratos de longo prazo. A estimativa é de que os projetos de minério de ferro abocanhem 66% do total estimado: US$ 36,530 bilhões. A cifra significa um aumento de mais de US$ 5 bilhões na comparação com o último levantamento feito pelo Ibram em janeiro. Limite da capacidade. Nos últimos meses, representantes da Vale, segunda maior mineradora do mundo e líder mundial em minério de ferro, têm informado que a companhia trabalha atualmente no limite de sua capacidade e que a demanda por insumos básicos já superou o período pré-crise. Para este ano, a Vale programou um investimento recorde de US$ 12,9 bilhões. Segundo Camilo, a decisão das companhias de tirar da gaveta ou acelerar projetos de expansão no setor vai permitir ao país dobrar sua produção de minério de ferro até 2014, pulando dos atuais 310 milhões para um patamar em torno de 620 milhões de toneladas anuais. "À medida que você tem uma melhoria considerável no preço das commodities, os investimentos fazem cada vez mais sentido", explicou. Camilo lembra que o setor mineral é o maior responsável pelo investimento privado no País e que o crescimento da produção nacional se traduziu em benefícios para a balança comercial. Em 2009, os produtos minerais geraram US$ 12,599 bilhões de saldo para a balança comercial, metade do registrado no período. Em 2006, os mesmo produtos geravam US$ 6,540 bilhões, apenas 14% do saldo da balança. "Foi um incremento grande em um curto período", observa ele. Pelas previsões do Ibram, o segundo setor que deve receber mais investimentos é o de níquel, com US$ 6,176 bilhões (12% do total). O valor é quase 90% superior ao estimado no último levantamento, que era de US$ 3,546 bilhões. Os investimentos vão possibilitar ao País ampliar sua produção de níquel das atuais 75 mil toneladas para 190 mil toneladas em cinco anos. Viabilidade econômica. Camilo lembra que a recuperação do setor não está sustentada apenas por projetos de expansão das grandes mineradoras no país, mas também de pequenas companhias, que estão encontrando na recuperação dos preços uma viabilidade econômica para seus projetos. "Temos visto um aumento maciço dos investimentos dos estrangeiros no País", explicou. Segundo ele, a recente alta no preço das matérias-primas deve elevar o valor da produção mineral brasileira para US$ 30 bilhões, uma alta de 25% sobre os US$ 24 bilhões contabilizados no ano passado. A cifra já incluiu o reajuste de 100% na cotação do minério de ferro comercializado em contratos de longo prazo. Camilo destaca, entretanto, que o valor não leva em conta novas elevações previstas para metais, como o níquel.

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