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Indiana Satyam é a Nova Enron

As ações da Satyam Computer Services - a quarta maior companhia de softwares da Índia - desabaram 78% na Bolsa de Bombaim ontem, após o fundador e presidente da companhia, B. Ramalinga Raju, renunciar e admitir que fraudes contábeis foram praticadas pela empresa durante vários anos.

Agência Estado |

O caso já é comparado ao escândalo da Enron, empresa de energia norte-americana que faliu em 2001 após denúncias de falsificações contábeis e fiscais.

Em uma carta enviada à diretoria da companhia, cujo conteúdo foi divulgado pela Bolsa de Mumbai, Raju admitiu que a Satyam inflou lucro e receitas. O executivo confessou que o balanço do trimestre encerrado no dia 30 de setembro do ano passado trazia um caixa fictício de 50,4 bilhões de rupias (US$ 1,04 bilhão), juros acumulados não existentes de 3,76 bilhões de rupias (US$ 77 milhões), perdas subavaliadas de 12,3 bilhões de rupias (US$ 253 milhões) e uma posição de endividamento de 4,9 bilhões de rupias (US$ 93 milhões), ante 26,51 bilhões (US$ 546 milhões) que constavam em seus livros contábeis. "Isso resultou em um caixa artificial, de até 5,88 bilhões de rupias (US$ 121 milhões) apenas no segundo trimestre", disse o executivo. Ele disse ter revelado as fraudes após uma crise de consciência. "Estou preparado para enfrentar as consequências", afirmou.

A revelação surge após a Satyam ter provocado a ira dos investidores quando anunciou, em 16 de dezembro, seu plano de comprar a Maytas Properties Ltd. e adquirir uma fatia de 51% na Maytas Infra Ltd., duas companhias nas quais Raju e seu irmão têm participação. Diante das fortes críticas dos acionistas, o presidente da companhia desistiu dos planos.

Desde então, as ações da Satyam têm caído diante das preocupações com a governança corporativa da companhia e a renúncia de quatro diretores. Em dezembro, o grupo informou que consideraria opções estratégicas para agregar valor para os acionistas, o que aumentou a especulação de que iria se juntar a outra empresa.

Mas o plano pode ser abortado, uma vez que a DSP Merrill Lynch, contratada para desenhar a estratégia, encerrou seu compromisso após a revelação das fraudes no balanço da Satyam, cujos clientes incluem companhias como General Electric, General Motors, Nissan Motor, Caterpillar, Cisco Systems e Sony Corp.

"A Satyam é a Enron da Índia", disse em uma nota o CLSA, banco de investimentos para mercados emergentes. "A independência da diretoria está em questão e será questionada a cumplicidade dos auditores no que parece ser uma fraude financeira de muitos anos." A PricewaterhouseCoopers, que audita os balanços da empresa, disse em nota que está avaliando a situação e que não faria comentários por enquanto.

O presidente da comissão de valores mobiliários da Índia disse que os eventos envolvendo a Satyam são de "magnitude horrível". "Nossos principais esforços serão na direção de assegurar que os dados estejam disponíveis e que os investidores saibam a verdade", disse C. B. Bhave em uma entrevista à tevê local CNBC TV18.

Ele disse ainda que a comissão está em contato com o ministro de Assuntos Corporativos da Índia, P.C. Gupta, acrescentando ser necessária uma ação coordenada entre as autoridades. Gupta disse que o fiasco da Satyam é um "ato vergonhoso".

"É um escândalo monumental e terrível para a indústria de tecnologia da informação da Índia", disse Jagdish Malkani, chefe da TAIB Capital Corp. no país.

Analistas disseram ser muito cedo para saber quanto mais as ações da Satyam irão cair, mas preveem um forte impacto sobre o setor de tecnologia do país e no mercado de forma mais abrangente. "Isso abala a confiança dos investidores nas corporações. A empresa falsificou seu balanço e os auditores nem sequer notaram a fraude", comentou Deven Choksey, diretor-gerente da K.R. Choksey Shares and Securities, baseada em Mumbai.

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