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Índia pede que fim de negociação seja visto como pausa

O ministro do Comércio da Índia, Kamal Nath, pediu que o fim das conversações dos últimos nove dias em Genebra sobre as negociações da Rodada Doha, no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), seja tratado como uma pausa. Pediria ao diretor-geral (da OMC) que trate isto como uma pausa, não como uma ruptura, para manter na mesa o que já está lá, afirmou Nath.

Agência Estado |

Os delegados reuniram-se na manhã desta quarta-feira para discutir o que será feito daqui em diante. Nath e a representante de Comércio dos EUA, Susan Schwab, teriam, segundo informações, agendado um almoço juntos. "Susan Schwab disse que me amava e eu disse que a amava também. Mas provavelmente ela não me amava o suficiente. Eu disse isto a ela", afirmou o ministro indiano.

A França disse que a ruptura "não é o fim do mundo". Dois ministros franceses questionaram se a estrutura das negociações foi adequada para lidar com questões amplas de comércio, notadamente a agricultura, de uma única vez. As negociações em Genebra foram rompidas terça-feira, depois que a Índia e os EUA não conseguiram chegar a um consenso sobre o mecanismo de salvaguardas especiais, para proteger os produtores agrícolas de países pobres em situações de aumento expressivo das importações ou de disparada dos preços.

O primeiro-ministro do Japão, Yasuo Fukuda, disse que o colapso das conversações em Genebra, para estabelecer as modalidades de retomada da negociação da Rodada Doha, era "extremamente lamentável".

Representantes da África, que tinham esperança de que outras questões relevantes para os países pobres fossem negociadas, como o comércio do algodão e da banana, estavam inconsolados. "Mal podemos controlar nossa ira", disse o ministro de Comércio de Burkina Faso. O ministro do Comércio do Quênia, Uhuru Kenyatta, disse em nome do grupo africano, que o colapso "prejudica gravemente" os esforços contra a pobreza.

China

A China afirmou hoje que está pronta para firmar acordos econômicos bilaterais após o fracasso das negociações para impulsionar a Rodada Doha, e alertou que a falta de um acordo em Genebra irá prejudicar o sistema de comércio global. Mas analistas afirmam que um pacto de comércio multilateral seria a melhor opção para o país no longo prazo, já que acordos bilaterais e regionais podem se tornar muito limitados diante do desenvolvimento da competitividade e da economia da China.

O ministro do Comércio da China, Chen Deming, considerou o colapso das negociações um "fracasso trágico". Mas, segundo ele, a China pretende aumentar seu trabalho com países em desenvolvimento e intensificar o comércio bilateral e a cooperação econômica com os principais membros da OMC.

Ao mesmo tempo em que as discussões da OMC enfrentavam dificuldades nos últimos anos, a China vinha discutindo ou lançando acordos bilaterais de livre comércio. Seu Tratado de Livre Comércio (FTA, na sigla em inglês) mais recente foi firmado com a Nova Zelândia, e entra em vigor em 1º de outubro deste ano. A União Européia e os Estados Unidos são os dois maiores parceiros comerciais da China, mas o país ainda precisa firmar um FTA com cada um deles. As informações são da agência Dow Jones.

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