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Índia culpa os EUA e eleva tensão na OMC

A esperança de um acordo na Organização Mundial do Comércio (OMC) se desfazia ontem, à medida que a reunião dramática entre os ministros entrava pela madrugada, com posições intransigentes da parte de chineses, indianos e americanos. O centro do debate passou a ser a falta de acordo entre Estados Unidos, India e China sobre produtos agrícolas.

Agência Estado |

O Brasil propôs um novo texto para que o impasse fosse superado, que não prosperou. A Índia, em uma jogada midiática, optou por transferir a culpa de um fracasso para os americanos, perto da meia noite. As declarações enfureceram a Casa Branca, que entrou para a última reunião pronta para abandonar o processo.

"Nós aceitamos a nova proposta, mas os que não aceitaram devem se declarar", disse o ministro do Comércio da Índia, Kamal Nath, insinuando que os americanos deveriam deixar de culpar os outros e admitir que agora eles são o motivo do impasse. Os indianos estiveram sob pressão nos últimos dias por estarem bloqueando um acordo.

Nos bastidores, o chanceler Celso Amorim alertou Washington de que, se não se movesse, também seria culpado pelo fiasco. A representante da Casa Branca, Susan Schwab, qualificou as declarações de Nath de "traição" e se recusou a negociar.

Os indianos insistiam na criação de um mecanismo que protegesse seus pequenos agricultores contra surtos de importação. Não aceitavam a proposta da OMC de sexta-feira, que exigia o aumento de 40% nas importações antes que as novas barreiras fossem fixadas.

"Precisamos nos proteger das importações de alimentos subsidiados e vendidos pelos americanos", afirmou Nath. O temor de vários países emergentes é que, com a abertura de seus mercados, sejam invadidos por produtos com preços distorcidos pelos subsídios.

Os americanos apontaram que só aceitariam o pacote se não houvesse nenhuma mudança. Com a nova proposta brasileira, a Casa Branca considerou que o equilíbrio entre liberalização agrícola e industrial seria afetado. Washington passou pelo menos quatro horas em consultas, interrompendo a negociação.

Nath, então, aproveitou para passar a culpa do fracasso para os Estados Unidos e até retomou temas que pareciam resolvidos, como o teto dos subsídios - na sexta-feira, foi acertado que os americanos teriam o direito de dar até US$ 14,5 bilhões por ano em subsídios. Ontem, Nath alegava que ainda esperava corte maior corte dos EUA.

"Eles sairão da Rodada Doha com o direito de dobrar o volume de subsídios que dão hoje", afirmou o indiano. Segundo ele, o governo americano hoje distribui cerca de US$ 8 bilhões por ano a seus fazendeiros, graças aos preços altos das commodities.

Os sinais de tensão começaram a surgir logo cedo, num tiroteio entre algumas das maiores potências mundiais. Os EUA saíram de sua tradicional posição diplomática para acusar nominalmente China e Índia por um eventual fracasso das negociações. A decisão de começar o dia nomeando os responsáveis tinha o objetivo de evitar que a culpa ficasse com os países ricos.

Num encontro com 153 países, os EUA acusaram a China e a Índia de ameaçarem o êxito do plano apresentado na sexta-feira, que previa corte de tarifas, de subsídios e a abertura dos mercados emergentes para bens industriais. David Shark, um dos negociadores americanos, acusou a China de recuar de suas promessas.

Poucas horas depois, foi Schwab quem soava um alerta. "Um país retraiu de sua posição e outro se recusa a aceitar. Era um equilíbrio delicado. Há um risco real agora de fracasso", afirmou. O comissário da UE, Peter Mandelson, também alertou. "Estamos num momento muito difícil; se não houver flexibilidade e liderança, vamos todos cair", disse.

Os chineses reagiram, alegando que os EUA não estariam cortando de forma suficiente seus subsídios agrícolas. "É surpreendente que agora os Estados Unidos estejam buscando um culpado", afirmou o embaixador chinês, Sun Zhenyu.

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