SÃO PAULO - O dólar comercial não só recuperou a perda acentuada de ontem, como foi além e marcou máxima de preço para o mês. O divisa subiu 1,29%, para fechar a R$ 1,800 na compra e R$ 1,802 na venda, maior preço desde o final de fevereiro.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar subiu 1,12%, para fechar a R$ 1,8005. O volume caiu 60%, para US$ 59 milhões. No interbancário, os negócios recuaram de US$ 3,1 bilhões para US$ 1,7 bilhão.

Segundo o gerente de operações da Terra Futuros, Arnaldo Puccinelli, operações pontuais levam o mercado para um lado ou para o outro de forma muito acentuada.

Ontem, foi a entrada de recursos externos que derrubou o dólar em mais de 1%. Já hoje, a piora de humor no mercado internacional e a antecipação de remessas em função dessa maior incerteza foram suficientes para levar a moeda de volta para cima de R$ 1,80.

Segundo Puccinelli, o que preocupa é a situação da Europa, que parece se complicar cada vez mais. Depois da Grécia, hoje, Portugal teve sua nota de crédito rebaixada, em função de baixa perspectiva de crescimento.

Essa mesma notícia também pesou sobre o euro, que operou na linha de US$ 1,33 durante todo o dia, preço não registrado em 10 meses.

"A situação é delicada. E a recomendação para o investidor é cautela " , diz Puccinelli, alertando que caso esse cenário venha a piorara, o dólar futuro deve buscar, sem dificuldade, a linha de R$ 1,825 a R$ 1,830.

Atenção, agora, à reunião de países da Europa, que começa amanhã e se encerra na sexta. A expectativa, segundo o especialista, é de que alguma solução ou plano seja abordado para conter essa crescente incerteza quer cerca alguns membros da zona do euro.

(Eduardo Campos | Valor)

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