BRASÍLIA - Há uma trajetória de queda na inadimplência, empurrando o spread bancário para baixo, aponta o Banco Central (BC). Mas a expectativa de elevação próxima da Selic pelo mercado financeiro deve impedir que o juro ao consumidor continue caindo, como ocorreu em fevereiro.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, admite que os bancos elevaram seus custos de captação em março, com reflexos de alta no custo do dinheiro para as empresas.

"Há um movimento de elevação no custo de captação, refletindo expectativas do mercado de alta em relação à taxa básica de juros", disse Lopes. "Isso tem compensado a redução dos spreads", continuou.

Ele lembra que o juro bancário final é formado pela taxa de captação - aquela que o banco paga ao vender um título seu ao cliente, como um Certificado de Depósito Bancário (CDB) - mais o spread. O spread é geralmente traduzido como a diferença entre o custo da captação e a taxa efetiva que o banco cobra em seus empréstimos.

Segundo Lopes, o spread tem caído porque um de seus componentes, a inadimplência, que responde a um terço do spread total, está em queda. Depois de atingir o recorde de 5,9% em julho de 2009, a taxa geral de inadimplência (atrasos acima de 90 dias) recuou para 5,3% em fevereiro.

Assim, Lopes reitera que o risco nos empréstimos, ou seja, a inadimplência, está em queda. Mas os bancos já estão pagando mais caro para captar, ele aponta, embora ainda sem dados concretos sobre a variação taxa de captação.

De qualquer forma, o técnico do BC preferiu ser reticente ao ser questionado se o juro bancário médio tenderia a seguir em queda, como ocorreu em fevereiro, quando a taxa média caiu 0,8 ponto percentual sobre janeiro para 34,3% ao ano.

"A expectativa é de continuidade de redução na inadimplência e de mais queda no spread", disse Lopes. Ele justificou que "o aumento na renda" da população tem ajudado a reduzir a inadimplência da pessoa física, que caiu a 7,2% no mês passado, ante 7,8% em dezembro de 2009, por exemplo.

Em parcial de oito dias úteis no mês, o BC apurou que a taxa média de juros está estável em 34,5% anuais. Há um ligeiro recuo de 0,3 ponto nas operações a pessoas físicas, para 41,6%, e mantém 26,1% ao ano para as empresas.

Ainda na parcial, o spread geral recuava de 24,3% para 24,1%, segundo os números do BC, mantendo-se igual a fevereiro em 16,9% para pessoas jurídicas, e caindo de 30,8% para 30,4% ao ano para pessoas físicas.

(Azelma Rodrigues | Valor)

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