SÃO PAULO - Com o objetivo de preservar a economia brasileira dos efeitos da crise internacional, o governo anunciou nesta segunda-feira novas medidas para aumentar a oferta de crédito no mercado interno. Após uma longa reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com os principais dirigentes dos bancos estatais, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles revelaram uma injeção adicional de pelo menos R$ 5,5 bilhões para os setores agrícola e de construção civil, além da orientação para que os bancos federais (BB, CEF e BNDES) elevem suas carteiras de empréstimos.

Segundo Mantega, a avaliação atual do governo é de que a crise internacional pode ter superado seu pior momento, após as diversas medidas adotadas pelos bancos centrais mundo afora. "Há possibilidade de que as medidas já tenham surtido efeito. Mas não é certeza", disse o ministro, referindo-se à fase mais aguda como a de total escassez de linhas de crédito no exterior.

Entre as medidas anunciadas para o aumento da liquidez no mercado interno, Mantega informou que o governo deve liberar "nos próximos dias" entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões para as empresas da construção civil que tomaram recursos na bolsa de valores em 2007, mas que estão em dificuldades para tocar as obras. De acordo com o ministro, ainda não se sabe se os recursos serão liberados via empréstimos do BNDES ou por meio da Caixa Econômica Federal, que entraria como sócia dessas empresas.

O financiamento à agricultura também terá mais recursos, de acordo com Mantega. Serão R$ 2,5 bilhões a mais, oriundos da elevação de 65% para 70% da fatia da poupança rural que deve ser aplicada nas lavouras." O Banco do Brasil já liberou R$ 10 bilhões para a agricultura neste ano. Estamos dando conta das questões da falta de crédito no campo", completou o ministro.

Por sua vez, o presidente do Banco Central afirmou que, durante a reunião com Lula, foi definida uma maior participação dos bancos federais na concessão de crédito às empresas e pessoas físicas, nos casos de BB e Caixa, e aos investimentos, no caso do BNDES.

No entanto, Meirelles disse que o valor do aporte adicional ainda está sendo levantado pelas instituições. "Espera-se que num período relativamente breve, atinja um montante expressivo", acrescentou.

As declarações foram dadas em entrevista coletiva no auditório do prédio do Banco do Brasil em São Paulo.

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