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Impasse sobre pacote traz mais prejuízo a McCain

O senador John McCain, candidato republicano à Casa Branca, não consegue se livrar do colapso do sistema financeiro americano, que parece ter atingido tanto a economia dos EUA quanto a sua candidatura. Desde que o mercado começou a se deteriorar, semana passada, McCain perdeu a liderança para o rival democrata, Barack Obama, que se distanciou nas pesquisas.

Agência Estado |

O fracasso de ontem do pacote de US$ 700 bilhões proposto pelo presidente George W. Bush prolongou as duas crises, a econômica e a da campanha republicana.

Na tentativa de retomar o controle da disputa, McCain tomou uma série de decisões desastrosas. A última delas foi ontem, ao tentar assumir a paternidade do pacote. "Suspendi minha campanha para trabalhar por esse plano", disse o republicano. "Muitos criticaram minha decisão, mas não sou o tipo de político que trabalha nos bastidores."

Steve Schmidt, estrategista de McCain, também reivindicou o crédito para o candidato. "Foi ele quem conseguiu os votos para a aprovação do plano", disse. Mitt Romney, adversário de McCain nas prévias do partido, festejou a participação do candidato nas negociações. "O acordo não seria fechado se não fosse ele", afirmou à TV NBC.

Algumas horas depois, no entanto, o plano foi rejeitado pelo Congresso com o voto da maioria dos deputados republicanos que McCain supunha controlar. Vários analistas afirmaram que a estratégia faz parte de uma seqüência de erros que se arrastam há uma semana.

Segunda-feira passada, McCain afirmou, em comício na Flórida, que "os fundamentos da economia americana eram fortes". No mesmo dia, era anunciada a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers e a Bolsa de Nova York despencou 4,42% - a maior queda desde os ataques de 11 de setembro de 2001.

No dia seguinte, em Michigan, ele condenou a ajuda financeira para a seguradora AIG. Horas depois, foi exatamente isso que o governo fez. Na quarta-feira, o republicano se precipitou de novo ao pedir a demissão do presidente da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, na sigla em inglês), Christopher Cox, bastante popular entre os conservadores. Nem os republicanos gostaram.

Na quinta-feira, quando Obama abriu uma vantagem de 9 pontos porcentuais (52% a 43%), de acordo pesquisa do jornal Washington Post, McCain interrompeu sua campanha para negociar a aprovação do pacote financeiro em Washington e pediu o adiamento do debate marcado para sexta-feira. "Foi um erro", disse o republicano Mike Huckabee, que também disputou as primárias do partido.

A ida de McCain para Washington mais atrapalhou do que ajudou a aprovação do plano - muitos congressistas reclamaram que haviam chegado a um acordo para aprovação do pacote até que McCain chegou à cidade, politizou a discussão e criou o impasse.

A maré ruim acabou se refletindo no resultado do debate. Apesar de equilibrado, a percepção dos eleitores americanos foi a de que Obama levou a melhor, de acordo com pesquisas das redes CNN e CBS.

Ontem, o avanço do democrata continuou. De acordo com três pesquisas nacionais, Obama consolidou sua liderança. O FD Tracking deu a ele uma vantagem de 5 pontos porcentuais (47% a 42%). Segundo o instituto Rasmussen, Obama tem 50% das intenções de voto, enquanto McCain tem 45%. Na sondagem do Gallup, a diferença é ainda maior, 8 pontos porcentuais (50% a 42%).

Percebendo que a crise lhe favorece, Obama atacou ontem o rival. "Esse é o resultado de oito anos de irresponsabilidade", disse o democrata, em campanha em Michigan. McCain se recusou a ficar na defensiva e acusou o adversário pelo fracasso do plano. "O projeto não foi aprovado porque Obama e os democratas colocaram a política à frente do país", disse o republicano.

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