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Impasse ronda a reunião do G-20

Promovida como a Bretton Woods 2 por líderes europeus, a reunião de cúpula do G-20, que começa na sexta-feira, deve ser bem menos ambiciosa, no que depender do governo americano. O presidente George W.

Agência Estado |

Bush receberá líderes de 19 nações, entre elas o Brasil, para discutir a crise financeira global e desenhar políticas para lidar com a recessão que já tomou conta de alguns países.

Mas será difícil os chefes de Estado reunidos no National Building Museum chegarem a um acordo. Os europeus, principalmente os franceses, querem a criação de um órgão global de regulamentação financeira e também pregam maior supervisão de fundos hedge, de private equity e derivativos como os credit default swaps. Os americanos vêem com cautela qualquer iniciativa global ou política "contra o livre mercado".

"Não há uma visão comum entre Estados Unidos e Europa", diz uma fonte próxima do governo Bush que acompanha as preparações da cúpula. "Não existe a menor possibilidade de os Estados Unidos aceitarem um órgão de regulamentação mundial. Bush não vai ceder o poder de os EUA regulamentarem seu sistema financeiro."

O fato de só restarem dois meses de mandato a George Bush também põe em questão a relevância da cúpula. Tanto que os líderes europeus já estão propondo uma segunda reunião daqui a 100 dias, em fevereiro, cerca de um mês depois de Obama assumir a presidência. "O líderes conseguem concordar sobre a necessidade de fazer reformas no sistema financeiro, e devem sair da cúpula com um comunicado e uma programação para novos encontros", diz a fonte.

Para Desmond Lachmann, especialista em instituições multilaterais do American Enterprise Institute, não houve preparação suficiente para a cúpula. "A reunião vai se realizar por causa de motivação política, para que Nicolas Sarkozy e Gordon Brown ganhem mais destaque internacionalmente e com seu eleitorado."

O presidente eleito Barack Obama não vai participar da reunião. No máximo, vai enviar assessores ou, talvez, seu secretário do Tesouro, caso seja escolhido até lá. "Obama não vai querer se envolver diretamente no encontro e se comprometer com políticas de um governo que está acabando", diz Lachmann. "No máximo, terá encontros bilaterais, provavelmente com Sarkozy e Brown."

O Institute for International Finance (IIF, a Febraban mundial) divulgou ontem uma carta ao presidente Bush com sugestões para a reunião. A entidade quer que as instituições financeiras que receberam injeção de capital do governo voltem a ser privadas assim que possível. E pede também mais ações coordenadas entre os governos.

"É essencial que formuladores de políticas adotem mais medidas para promover a recuperação dos mercados financeiros e evitar uma severa recessão mundial", diz na carta o diretor-gerente do IIF, Charles Dallara. Ele também aplaudiu a iniciativa da China, com o pacote de US$ 586 bilhões. Porém, admitiu ter baixas expectativas em relação à cúpula. "É preciso ser realista. O que é vão conseguir fazer em apenas um fim de semana?"

Não são apenas os europeus e americanos que discordam do rumo a ser tomado. Os emergentes querem aproveitar o momento de crise para reformular a administração de instituições multilaterais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, além de expandir fóruns como o G-7, para incluir os grandes países em desenvolvimento. E todos os países esperam que a China aumente sua contribuição financeira para instituições multilaterais ou até para um fundo de resgate de países atingidos pela crise.

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