O projeto europeu de aprimorar a regulamentação da atividade especulativa dos fundos de investimento, os fundos hedge, sofreu um revés ontem, em Bruxelas. Por falta de acordo com o Reino Unido nas novas normas de supervisão, as negociações foram suspensas, sem que uma data-limite para implementação das regras tenha sido definida.

O objetivo do projeto era aumentar a transparência e a regulação dos investimentos dos fundos e reduzir o risco sistêmico de eventuais excessos dessas instituições, que até aqui escapam à reforma do sistema financeiro na União Europeia.

No estágio atual, o projeto criaria o "passaporte europeu" para os fundos hedge. Na prática, o objetivo é vetar a participação de fundos com sedes em paraísos fiscais anglo-americanos. A proposta também estende as novas regras para bônus de executivos de bancos aos de fundos hedge.

O tema foi debatido sexta-feira na sede do governo britânico, entre o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, que tenta evitar perdas para a City, o centro financeiro de Londres. A questão é delicada para os trabalhistas britânicos, que enfrentarão eleições em menos de três meses. Brown tenta evitar que só os fundos hedge domiciliados na UE possam atuar no bloco, o que alijaria as instituições com sede nos Estados Unidos e nos paraísos fiscais do Caribe. O Reino Unido quer que os fundos já em atuação na UE não precisem do passaporte.

Sem acordo, a Espanha, que exerce a presidência rotativa da UE, interveio, propondo que os fundos de fora do bloco possam pedir autorização a um único país, atuando apenas nele.

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