RIO DE JANEIRO - O coordenador de contas nacionais do IBGE, Roberto Olinto, disse que o impacto da crise internacional na economia brasileira no quarto trimestre do ano passado foi forte, com desaceleração importante e todas as atividades foram afetadas. No entanto, ele ressaltou que, para uma noção mais clara do efeito da crise na economia do País será preciso mais tempo. É preciso esperar um tempo, o momento econômico atual é completamente atípico, fora de qualquer padrão, observou.

A gerente de contas trimestrais do IBGE, Rebeca Palis, disse que os resultados do quarto trimestre de 2008 ante o terceiro trimestre do mesmo ano são eficientes para mostrar o movimento que ocorreu "na ponta da série" da economia, mas não devem ser utilizados para análises temporais de mais longo prazo.

No entanto, ela admitiu que a queda de 3,6% no PIB no período interrompe uma sequência de 12 resultados positivos ante trimestre imediatamente anterior. "Houve uma ruptura, mas não se sabe se é uma tendência ou não", explicou a gerente.

Segundo Rebeca, a desaceleração da economia no final do ano fica clara no resultado acumulado, que chegou a 6,4% nos três primeiros trimestres e perdeu ritmo para um fechamento anual de 5,1% em 2008. Outro exemplo citado por ela foi a diferença nos resultados trimestrais, comparativamente a iguais trimestres do ano anterior, apurados no terceiro trimestre (quando a expansão foi de 6,8%) e o quarto trimestre (1,3%).

"Todos os setores tiveram diminuição da taxa de crescimento, todos foram afetados de alguma forma pela crise, especialmente a indústria", afirmou. Ela observou ainda que os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo) também foram muito prejudicados pelo mau desempenho da indústria e, ainda, pela forte desaceleração na importação de máquinas e equipamentos no quarto trimestre.

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