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IGP-M tem deflação de 0,13% em dezembro

A inflação deixa de ser o foco de preocupação do cenário econômico traçado para 2009 e abre espaço para a queda da taxa básica de juros já no início do ano que vem, segundo apontam os resultados do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Neste mês, o IGP-M registrou deflação 0,13% , num raro movimento de queda do indicador em dezembro.

Agência Estado |

O resultado surpreendeu a maioria dos analistas ouvidos pela Agência Estado, que projetava estabilidade. No ano, o indicador acumulou alta de 9,81%, a maior marca desde 2004 (12,41%).

Apesar de o IGP-M acumulado em 12 meses até dezembro ser o maior em quatro anos, o resultado de 2008 ficou abaixo do previsto ao longo do ano. Em julho, o IGP-M acumulado em 12 meses atingiu o pico de 15,12%, puxado pela disparada dos preços das commodities. E foram exatamente as commodities, que recuaram 45% em dólar desde julho, que trouxeram a inflação acumulada neste ano para um nível inferior a 10% em dezembro, mesmo com uma desvalorização do real. "A desvalorização do câmbio foi suplantada pela queda das commodities", diz o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros.

Ele aponta dois cenários distintos para a inflação neste ano. O primeiro de descontrole, que predominou de janeiro a julho. Nas suas contas, a inflação média mensal do IGP-M para esse período foi de 1,76%, que projetaria um índice para 12 meses de 15,38%. Mas, a partir de agosto, com o recuo das cotações das commodities em razão retração da demanda mundial, a inflação média mensal medida pelo indicador desacelerou para 0,20%, o que sinalizaria um índice de 2,45% para os próximos 12 meses. Para Quadros, é o cenário de inflação mais baixa que deve prevalecer para 2009. "A inflação será responsável pela parte boa do noticiário econômico no ano que vem", prevê.

Essa avaliação é compartilhada pelo economista da Rosenberg Associados, Francis Kinder. Diante da deflação do IGP-M, ele diz que há espaço para queda de 0,5 ponto porcentual da taxa básica de juros em janeiro. O juro está em 13,75% ao ano e a resistência do Banco Central em reduzi-lo se deve ao temor de que a desvalorização do real pressione a inflação.

Esse movimento, no entanto, não foi observado de forma generalizada até agora. Quadros lembra que o IGP-M reagiu ao câmbio em outubro e atingiu 0,98%. Mas essa tendência de alta acabou sendo mais que compensada pela queda dos preços das commodities.

"Não vejo também pressões de custos se formando na cadeia de produção. As empresas estão estocadas." Quadros reforça a análise com resultados do IGP-M de dezembro. Neste mês, o Índice de Preços por Atacado (IPA), que representa 60% do IGP, teve deflação 0,42%. O resultado se deve à queda de 1,07% nos preços dos bens intermediários, que subiram 0,39% em novembro. As naftas para petroquímica e o ferro-gusa, por exemplo, caíram 28,82% e 10,82%, respectivamente, este mês.

O aço usado na construção civil teve deflação de 1,04% em dezembro, após 11 meses de alta. Com isso, o Índice Nacional da Construção Civil (INCC), que pesa 10% no IGP, desacelerou para 0,22% este mês, após ter subido 0,65% em novembro, em razão do recuo dos preços dos materiais de construção.

Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que responde por 30% do IGP-M, teve um ligeiro acréscimo, de 0,52% em novembro para 0,58% este mês. Quadros diz que o comportamento atípico do IPC de dezembro em relação ao demais índices se deve à alta dos alimentos in natura (2,14%) e à subida dos preços dos serviços livres (0,66%), que refletem a demanda ainda aquecida. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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