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SÃO PAULO - Deixando de lado uma nova tentativa de alta no começo do pregão, os contratos de juros futuros voltam a registrar queda na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Os indicadores de inflação e atividade abaixo do esperado contribuem para o recuo nos vencimentos.

Reagindo aos dados, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010 operava com baixa de 0,09 ponto percentual, a 13,05%. Já o contrato para janeiro 2011 tinha desvalorização de 0,11 ponto, a 13,53%. E janeiro 2012 apontava 13,66%, perda de 0,01 ponto percentual.

Na ponta curta, o DI para janeiro de 2009 também registrava queda de 0,01 ponto, apontando 13,44%. Já o vencimento julho de 2009 perdia 0,04 ponto, projetando 13,23%.

A Pesquisa Industrial Mensal do Emprego e Salário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou menor produção, produtividade e demanda em outubro, reforçando o cenário de brusca desaceleração econômica.

Pelo lado da inflação, a alta do dólar tem pouco efeito sobre os preços no atacado. De acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) abriu dezembro com alta de 0,14%, recuando de 0,80% captados um mês antes.

Segundo o gestor de renda fixa da Global Equity, Octávio Vaz, os contratos de juros futuros refletem esses indicadores de inflação e atividade. A ressalva na questão dos preços é que o recuo ainda está concentrado no atacado.

" Os preços ao consumidor seguem em patamar elevado " , lembra o especialista, apontado que esse é um dos principais motivos que levará o Banco Central a manter a taxa Selic em 13,75% ao ano na reunião de hoje.

Por outro lado, Vaz acredita que o custo do dinheiro já pode começar a recuar no primeiro trimestre do ano que vem. Em 2009, a primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) está agendada para 21 de janeiro e a segunda, para 11 de março.

Voltando o foco para inflação, o gestor avalia que a valorização do dólar, que já ganhou cerca de 60% desde as mínimas do ano, é compensada pela queda acentuada no preço das commodities e a pela menor demanda. " Isso dificulta o repasse. Mas itens relacionados aos serviços continuam em patamar acima do considerado confortável pelo BC. "
Na gestão da dívida pública, o Tesouro Nacional realiza a segunda etapa do leilão de venda de Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-B), que acontece via troca de títulos. Também acontece operação de troca de Letras Financeiras do Tesouro (LFT) e resgate antecipado de NTN-B.

(Eduardo Campos | Valor Online)