Por Rodrigo Viga Gaier RIO DE JANEIRO (Reuters) - A inflação pelo Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) desacelerou mais que o esperado em julho, dando sequência à uma série de dados que mostram um cenário de desaceleração da alta dos preços no início do segundo semestre.

O indicador registrou um avanço de 1,12 por cento no mês passado, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira, abaixo da alta de 1,89 por cento em junho e da mediana das expectativas de analistas consultados pela Reuters, que apontava para variação de 1,31 por cento.

'Dessa vez podemos dizer com certeza que já batemos no teto e os IGPs estão em um ciclo de desaceleração', afirmou Salomão Quadros, economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), responsável pelo cálculo do indicador.

A variação mais baixa do que esperado gerou uma queda nas taxas de juros dos principais contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) em São Paulo.

O contrato com vencimento em janeiro de 2010 --o mais negociado-- indicava taxa de 14,64 por cento, às 15h38, uma desaceleração frente ao patamar de 14,70 por cento registrado no fechamento de terça-feira.

ALÍVIO

Assim como em outros indicadores de preços de julho --como o IPC da Fipe-- a principal contribuição para a desaceleração do IGP-DI veio dos alimentos.

No caso específico, o subgrupo alimentos in natura, que havia subido 5,64 por cento em junho, desacelerou para uma alta de 2,54 por cento no mês passado.

Com isso, o Índice de Preços por Atacado (IPA) --um dos três componentes do IGP-DI-- fechou julho com alta de 1,28 por cento, bem abaixo dos 2,29 por cento apurados no mês anterior.

As variações dos outros dois componentes também desaceleraram. A inflação para o consumidor ficou em 0,53 por cento, enquanto que o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 1,46 por cento.

Os primeiros dados sobre a inflação no segundo semestre são uma boa notícia para o Banco Central, que iniciou em abril um ciclo de aperto monetário para tentar trazer a inflação de volta ao centro da meta definida pelo governo --de 4,5 por cento-- já em 2009.

Quadros concorda que o comportamento do IGP-DI em julho é uma notícia positiva, mas faz uma ponderação.

'O processo inflacionário no Brasil não acabou, até porque a demanda aquecida está aí e a capacidade instalada está em níveis altos', alertou.

De janeiro a julho, o IGP-DI acumulou uma alta de 8,35 por cento. Nos últimos 12 meses, o avançou foi de 14,81 por cento, o maior patamar desde outubro de 2003.

'Nos próximos dois meses a taxa em 12 meses deve ceder porque o índice vai ceder e as taxas no ano passado foram bem altas', afirmou Quadros.

(Texto de Renato Andrade; Edição de Vanessa Stelzer)

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