Rio, 13 - A queda de 0,85% nos preços agropecuários no atacado levou à desaceleração na taxa do Índice Geral de Preços-10 (IGP-10)10 (de 0,78% para 0,73%) de outubro para novembro. Segundo o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, a deflação no preço da soja (de 2,49% para -2,91%) foi determinante para derrubar os preços no setor agropecuário atacadista.

O economista explicou que o acirramento da crise dos mercados internacionais levou a um recuo nos investimentos em commodities, como as agrícolas, que estão subindo menos ou até em queda, no exterior. Isso acabou por puxar para baixo o preço da soja no Brasil, assim como os de outras commodities. É o caso das quedas registradas, no IGP-10, nos preços de milho (-5,80%); e de café (-2,13%), por exemplo. "Mas o peso da soja é muito maior (no cálculo do IGP-10) e acabou por influenciar mais a desaceleração da inflação no atacado", afirmou.

Outro fator que ajudou a reduzir a taxa do IGP-10 em novembro foi o comportamento dos preços siderúrgicos no atacado, que estão subindo menos (de 0,55% para 0,24%). O economista lembrou que, assim como as commodities agrícolas, o preço do aço também está em baixa no mercado internacional, devido à perspectiva de desaquecimento, que pode se acentuar no ano que vem - tendo em vista a atual crise dos mercados internacionais. Isso também ajudou a diminuir a inflação do setor atacadista, que passou de 0,98% para 0,81%, de outubro para novembro.

Carne Bovina

A forte aceleração de preços das carnes bovinas (de 0,88% para 5,15%) levou à disparada da inflação do varejo, de outubro para novembro (de 0,10% para 0,49%), no âmbito do IGP-10. Quadros afirmou que a arrancada no preço do produto foi o principal fator que levou ao fim da deflação de preços no grupo Alimentação (de -0,44% para 0,91%). Esse grupo foi a principal influência para a taxa mais elevada de inflação junto ao consumidor, no período.

Ele explicou que o preço da carne no mercado internacional está subindo muito de preço. Isso tem feito com que o preço de exportação do item se torne mais atraente ao fornecedor, que acaba deslocando sua produção para o mercado externo, reduzindo a oferta no mercado interno. Com isso, o preço do produto sobe no País.

"O preço de exportação da carne em outubro foi muito elevado", comentou o economista. Entretanto, ele comentou que esse cenário não é sustentável. Isso porque a perspectiva de desaquecimento no mercado internacional nos próximos meses, devido à crise dos mercados, deve conduzir a uma redução na demanda pelo produto. Com a provável redução de demanda, os preços acabam subindo menos, ou até caindo. "Este não é um cenário estável, de preços altos para a carne", reiterou.

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