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A secretário da reunião ibero-americana e ex-presidente do BID, Enrique Iglesias, acredita que o encontro dos países que falam espanhol e português deve levar para o G-20 uma posição de denúncia do protecionismo. Acredito que é uma questão central.

Temos que denunciar hoje o protecionismo, recordando que a piora da extensão da crise de 30 ocorreu fundamentalmente porque houve abusos de protecionismo. É bom que tenhamos consciência disso", disse sobre a reunião desta segunda-feira, que se será realizada na cidade do Porto, em Portugal.

Iglesias criticou o fato de alguns países assumirem publicamente uma posição contra o protecionismo e depois fazerem o contrário. "O protecionismo é muito grave. Quando se realizam estas reuniões, temos declarações muito bonitas nos fóruns internacionais, mas em todos os lados aparecem medidas protecionistas que são muito preocupantes. Devemos esperar que o G-20 avalie que o protecionismo é hoje o pior inimigo para a solução da crise internacional".

Sobre a situação da economia brasileira, Iglesias considerou que ela é melhor do que a maior parte de países do mundo. "O Brasil talvez seja um dos países melhor preparados para fazer frente aos impactos da conjuntura internacional. É um país que fez muito bem os deveres macroeconômicos e tem uma economia muito diversificada e um grande mercado interno. Acredito que esses elementos ajudam a fazer frente ao impacto externo."

Mesmo assim, o Brasil não vai ficar livre de dificuldades econômicas. Segundo Iglesias, a crise econômica é forte e vai afetar todos os países. "Isso é inevitável e significa desvalorização do câmbio, desemprego e impacto sobre as receitas fiscais, mas há margens para uma maior defesa."

Ele explicou a importância da reunião do G-20 para os países latino-americanos. "O que podemos esperar é que o mundo chegue a um acordo para resolver os problemas com políticas claras que permitam que os centros econômicos se reergam. Dependemos muito da forma como os Estados Unidos e a Europa resolvem os seus problemas, mas dependemos também do mundo oriental, dependemos da China."

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