O consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) e ex-secretário de política econômica do Ministério da Fazenda Julio Sérgio Gomes de Almeida disse que o aumento de 0,75 ponto porcentual na taxa Selic, definido por unanimidade hoje pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, aponta para uma desaceleração da economia e dos investimentos em 2009 mais forte do que se esperava. Ele admite que a magnitude do aumento já era esperada, mas avalia que o cenário de inflação mostrou melhoria nos últimos dias.

"O Banco Central agiu sobre as expectativas, se movimentou em relação ao fato de que o mercado já prevê uma inflação acima do teto da meta para este ano", disse ele, em referência ao limite máximo de 6,5% definido pelo Conselho Monetário Nacional para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo - a meta é de 4,5%, com margem de tolerância de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos.

Para Gomes de Almeida, diante do arrefecimento da alta nos preços das matérias-primas (commodities) e do fato de que a elevação dos juros de hoje só terá efeito na economia em 2009, o ideal seria que o Copom tivesse esperado um pouco mais antes de aumentar a dose de alta da Selic - nas duas últimas reuniões, o Copom decidiu elevar a taxa básica de juros em 0,5 ponto porcentual.

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