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O Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) solicitou hoje reunião com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para discutir a conduta de empresas estatais em relação à política de incentivo à indústria siderúrgica nacional. O centro da discussão envolve o Programa de Modernização e Expansão de Frota (Promef) da Transpetro, que demandará a compra de aço naval.

A estatal e a Usiminas divergem. "Não é possível que, em um momento de crise e demonstração de protecionismo ao redor do mundo, uma empresa estatal garanta emprego a trabalhadores chineses, quando se pode garantir emprego no Brasil", afirmou o vice-presidente do IBS, Marco Polo de Mello Lopes.

O vice-presidente do IBS conta que a Transpetro estaria negociando aço naval a US$ 600 a tonelada, o que segundo ele seria um preço que não cobriria nem os gastos da siderúrgica nacional. "É um padrão chinês. Eles simplesmente colocam a faca no pescoço da indústria nacional para se igualar o preço, mas não levam em consideração que, com a redução de demanda, os custos fixos aumentaram", defende Lopes.

Já a Transpetro divulgou nota em que diz repudiar "as articulações da Usiminas de tentar impor preços e ameaçar a sobrevivência da nascente indústria naval brasileira". De acordo com a Transpetro, nas três primeiras licitações do Promef, a estatal comprou chapas grossas de aço na China, no Brasil e na Ucrânia. "Não houve exclusão a priori nem favorecimento de quem quer que seja, mas o cumprimento da obrigação política e legal de garantir os menores custos", diz a nota.

A subsidiária afirma, ainda, que na quarta e mais recente licitação, a Usiminas ficou em último lugar entre onze concorrentes numa coleta de preços para o fornecimento de 18 mil toneladas de aço. "Participaram do processo empresas da Coreia do Sul, China, Romênia, Macedônia, Ucrânia, Indonésia e Brasil. A cotação apresentada pela Usiminas no dia da coleta, 15 de janeiro, foi 60% mais alta do que a melhor oferta", argumenta a Transpetro.