A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ignorou os indicadores ruins divulgados hoje nos Estados Unidos e, na esteira do noticiário positivo dos últimos dias sobre pacotes e cortes de juros engatou seu terceiro pregão consecutivo em alta. O índice Bovespa subiu mais de 4% na sessão de hoje, reduzindo as perdas de novembro a pouco mais de 2%.

Os mercado em Wall Street, que reagiram em baixa à bateria de números ruins, também mudaram de sinal à tarde, dando fôlego ao mercado doméstico.

O Ibovespa terminou o dia com valorização de 4,76%, a 36.469,61 pontos, após oscilar entre a mínima de 34.319 pontos (-1,42%) e a máxima de 36.877 pontos (+5,93%). Entre segunda-feira e hoje, o indicador fechou em alta e acumulou ganhos de 16,7%. No mês, as perdas foram reduzidas a -2,11%, revertendo parte das perdas de mais de 16% registradas em novembro até a última sexta-feira (dia 21). No ano, porém, a desvalorização do indicador chega a -42,91%. O giro financeiro totalizou R$ 4,501 bilhões.

Analistas consultados afirmaram que não houve uma razão específica para a disparada da Bovespa hoje, mas uma conjunção de fatores, entre eles, os sucessivos pacotes anunciados recentemente. Ontem, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) anunciou a injeção de US$ 800 bilhões na economia norte-americana e, hoje, foi a vez de a União Européia (UE) comunicar um pacote de 200 bilhões de euros em gastos governamentais. A China também foi notícia ao cortar sua taxa de juros, o que favoreceu a recuperação dos preços das matérias-primas (commodities). A expectativa de que as montadoras vão apresentar um plano que lhes permita receber recursos aprovados pelo Congresso também foi assunto nas mesas.

Outro fator que tem tido um peso considerável nas decisões de negócios com ações é a formação da equipe econômica do presidente eleito dos EUA, Barack Obama. Hoje, ele anunciou a escolha do ex-presidente do Fed Paul Volcker para chefiar o novo Conselho Consultivo para Recuperação Econômica, encarregado de ajudar o país a sair da recessão e de estabilizar os mercados financeiros. Obama também confirmou que seu conselheiro econômico Austan Goolsbee servirá no novo painel, assim como no Conselho de Consultores Econômicos. Outros membros deste conselho serão nomeados nas próximas semanas, segundo Obama.

Esta pode ser a razão para que os péssimos números conhecidos hoje sobre a economia norte-americana não tiveram força para empurrar as principais praças financeiras para o terreno negativo. Os dados, porém, não são desprezíveis: houve queda da confiança do consumidor, dos gastos com consumo, das vendas de imóveis novos, das encomendas de bens duráveis e também da inflação, refletindo a fraqueza na atividade.

O feriado norte-americano do Dia de Ação de Graças, amanhã, também pode ter motivado os investidores a irem às compras hoje, por causa da proximidade do fim do mês, e uma vez que as Bolsas de Nova York não funcionam amanhã e fecham mais cedo na sexta-feira (dia 28). Sem a referência de Wall Street amanhã, o volume financeiro tende a ser ainda mais fraco do que tem sido.

Ações

A recuperação do Ibovespa foi puxada principalmente por ações ligadas às commodities - blue chips e siderúrgicas - e bancos. Os papéis ordinários (ON) da Petrobras subiram 4,85% e os preferenciais (PN), 5,99%. Ontem à noite, a Petrobras anunciou a descoberta de hidrocarbonetos no poço 1-BRSA-669-BAS (1-BAS-147), localizado ao sul da Bacia do Jequitinhonha, em reservatórios arenosos acima da camada de sal.

Também fecharam em alta as ações ON da Vale, que avançaram 2,91%, e as PN classe A (PNA), com alta de 2,22%. No setor siderúrgico, Gerdau PN subiu 12,34%, Usiminas PNA teve alta de 4,63% e CSN ON avançou 5,40%. No setor bancário, Bradesco PN ganhou 5,69%, Itaú PN subiu 7,33% e Banco do Brasil ON avançou 9,39%.

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