SÃO PAULO - O sábado e o domingo serviram apenas como uma pausa para a Bovespa dar continuidade nesta segunda-feira ao que já vinha fazendo nos dois últimos pregões da semana passada: cair. As razões para isso foram as mesmas: petróleo e metais em queda, além dos temores de desaceleração econômica.


Nesta segunda, até mesmo a queda da bolsa chinesa foi usada de justificativa para as ordens de vendas que, no pregão paulista, foram patrocinadas principalmente por estrangeiros.

O Ibovespa, principal índice, terminou o dia em queda de 3,29%, a segunda maior do mês, atrás apenas da registrada no dia 4 (-3,51%), e a terceira no nível de 3% (no dia 1º, o índice havia recuado 3,15%). Assim, a Bovespa fechou com 54.720,2 pontos, voltando a situar-se no menor nível desde 23 de janeiro (54.234,8 pontos). O índice oscilou entre a mínima de 54.569 pontos (-3,56%) e a máxima de 56.974 pontos (+0,69%). No mês, acumula perdas de 8,04% e, no ano, de 14,35%. O volume financeiro totalizou R$ 4,894 bilhões.

O petróleo até abriu a semana em alta, por causa do conflito entre Geórgia e Rússia, em razão do território separatista Ossétia do Sul. A Geórgia, onde está a região, é um importante corredor para a indústria de petróleo e gás, ligando a região do Mar Cáspio aos mercados mundiais, e isso pressionou os preços pela manhã.

À tarde, no entanto, os temores de demanda menor voltaram a rondar os negócios e o contrato para setembro fechou em baixa de 0,65%, a US$ 114,45 por barril, na Bolsa Mercantil de Nova York. Os metais também recuaram e, com isso, as bolsas norte-americanas acabaram sustentando-se em elevação. O índice Dow Jones terminou em alta de 0,41%, o S&P avançou 0,69% e o Nasdaq teve alta de 1,07%.

O preço em baixa destas commodities, antídoto para Wall Street, é como veneno à Bovespa. Vale tombou mais de 4% e Petrobras caiu "só" a metade disso porque muitos investidores seguraram papéis à espera do balanço do segundo trimestre, que sai ainda nesta segunda. A expectativa é de que a estatal lucre R$ 7,9 bilhões. As siderúrgicas, os bancos e o setor elétrico também pesaram. Apenas quatro ações do Ibovespa subiram.

Os investidores estrangeiros continuaram deixando o mercado acionário local, também com a justificativa de que o aumento do saldo comercial chinês, anunciado nesta segunda, pode ser um indício de enfraquecimento da economia daquele país. Esse temor ainda existe para o terceiro trimestre, quando as medidas do governo para diminuir a poluição do país para as Olimpíadas passaram por restrições na produção e no transporte.

Depois do tombo desta segunda - e após o conhecimento dos números da Petrobras -, amanhã a Bovespa pode esboçar uma recuperação, também já iniciando o movimento de vencimento de opções sobre Ibovespa e Ibovespa futuro na quarta-feira.

Dólar

O dólar manteve a sequência de valorização e fechou em alta pela sexta sessão consecutiva nesta segunda-feira, acompanhando o movimento dos mercados internacionais de câmbio e o recuo da Bovespa.

A moeda norte-americana subiu 0,44%, a R$ 1,616, acumulando ganho de 3,46% em seis dias.

Segundo Carlos Alberto Postigo, operador de câmbio do Banco Paulista, o movimento está refletindo a valorização internacional do dólar.

Nesta segunda-feira, a moeda norte-americana chegou a bater o maior nível em quase seis meses frente ao euro, com o temor de que a crise de crédito norte-americana pode se espalhar e afetar o crescimento dos mercados europeu e asiático.

"É o dólar subindo forte frente a diversas moedas, a valorização do dólar frente às demais moedas que influencia o real", disse Postigo.

A recuperação da divisa norte-americana na semana passada, que derrubou os preços de commodities cotadas em dólar, levou alguns investidores estrangeiros a dizer que o processo de desvalorização global do dólar pode ter chegado ao fim.

Com informações da Reuters e da Agência Estado

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