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Depois de ter desabado 7,59% ontem, na maior queda desde 11 de setembro de 2001, o medo dos desdobramentos da crise do setor financeiro mantém as bolsas ao redor do mundo mergulhadas no vermelho e, por tabela, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Por volta das 10h15 (de Brasília), o Índice Bovespa despencava 4,28%, a 46.

345 pontos, na pontuação mínima do dia até este horário.

O mercado doméstico continua sendo duplamente penalizado - pela fuga para qualidade e pela queda das matérias-primas (commodities). Em Londres, o barril chegou a ser cotado mais cedo, na mínima até agora, abaixo de US$ 90. Em Nova York, o barril era negociado na casa de US$ 90, sinalizando mais um pregão ruim para as ações de Petrobras. No horário citado acima, as ações ordinárias (ON) e preferenciais (PN) da estatal petrolífera caíam 5,11% e 5,7%, respectivamente.

As ações PN classe A (PNA) da Vale também registravam baixa, de 4,37%, no mesmo horário. Em relação à mineradora, a Associação do Aço e do Minério de Ferro da China divulgou uma carta na qual pede que a Vale pare de solicitar a elevação dos preços do minério de ferro. Na carta, com data da última sexta-feira (dia 12) e publicada hoje no site da entidade, a Associação diz que a proposta da Vale para a elevação de preços no meio do ciclo viola o sistema de precificação internacional e prejudica os interesses de longo prazo de ambas as partes.

Nos Estados Unidos e na Europa, o clima segue pesado. Em uma tentativa de estabilizar os mercados, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) injetou US$ 50 bilhões no mercado por meio de um leilão de recompra de títulos por um dia (overnight) para aliviar o estresse dos bancos na abertura dos mercados. O Banco Central Europeu (BCE) e o os bancos centrais do Japão, Suíça e Reino Unido também voltaram a injetar liquidez nos mercados pelo segundo dia consecutivo. O BCE ofertou 70 bilhões de euro (US$ 99,4 bilhões), o Banco da Inglaterra ofereceu 20 bilhões de libras (US$ 35 bilhões) e o banco do Japão 2,5 trilhões de ienes (US$ 24 bilhões).

O foco da crise financeira está hoje mudando do Lehman Brothers para a seguradora American International Group (AIG). As ações da seguradora despencavam mais de 40% no pré-mercado em Wall Street, com investidores aguardando um plano de sobrevivência que pode envolver até US$ 75 bilhões em capital adicional, após as três principais agências de classificação de risco do mundo terem rebaixado as notas de risco de crédito (ratings) da AIG.

Além disso, há rumores, de que o banco britânico Barclays deverá chegar a um acordo para comprar uma larga fatia das operações do Lehman nas próximas horas, segundo fontes próximas do assunto.

Os investidores também estão em alerta com a reunião de política monetária do Fed, que às 15h15 (de Brasília) anuncia sua decisão sobre a taxa básica de juro americana. Economistas esperam manutenção da taxa em 2% ao ano, mas o mercado aposta em corte de 0,25 ponto porcentual, segundo operadores.

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