Se alguém pensou que ao acordar hoje, data que marca o início do segundo semestre de 2008, encontraria um cenário mais positivo, enganou-se tremendamente. O início do novo semestre traz os mesmos fantasmas do primeiro, com a preocupação com o avanço da inflação, a desaceleração da economia mundial, o avanço do petróleo e das matérias-primas (commodities) liderando os temores.

Hoje, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abriu em baixa, acompanhando o sinal negativo visto nos mercados europeus e nos índices futuros em Nova York. Às 10h04 (de Brasília), o índice Bovespa cedia 0,57%, a 64.647 pontos, na pontuação mínima do dia até o momento. No mesmo horário, nos Estados Unidos, o futuro do Nasdaq-100 recuava 1,10% e o futuro do S&P 500 tinha queda de 1,05%. Na Europa, a Bolsa de Londres cedia 2,54%.

Ontem, a Bolsa registrou o seu oitavo pregão de alta em todo o mês de junho, dentre as 21 sessões do mês passado. No período, o Ibovespa acumulou baixa de 10,43%, a maior perda mensal desde abril de 2004 (-11,44%). No ano, a Bolsa acumula ganhos de 1,77% - uma das poucas a subir em 2008 em todo o mundo. O movimento, segundo alguns analistas, foi atribuído aos gestores de fundos de investimentos e instituições financeiras que puxaram o preço das ações para cima para tentarem minimizar possíveis perdas das carteiras no período.

Com a mudança de mês, os investidores iniciam julho em um ambiente de forte tensão nas praças internacionais. O pessimismo com o atual cenário macroeconômico global e a acentuada piora do sentimento sobre o setor financeiro tomam conta dos negócios, derrubando as principais bolsas mundiais.

A escalada sem fim do petróleo só faz aumentar as preocupações com a retração da atividade econômica mundo afora aliada à inflação galopante. Nesse ambiente de forte aversão ao risco, o dólar perde valor ante as principais moedas estrangeiras.

Ações

Entre as ações domésticas, a mineradora brasileira Vale deve continuar no foco de atenções. Reportagem de hoje do jornal O Estado de S. Paulo informa que a empresa poderia estar interessada na aquisição da Paranapanema, holding que controla a Eluma e a Caraíba Metais, ligadas ao cobre, a Cibrafértil, de fertilizantes, e a Taboca-Mamoré, de estanho e minerais industriais.

Porém, a notícia foi recebida com restrições por analistas. Na avaliação de profissionais, a empresa apresenta estrutura financeira e porte pouco compatíveis com os da mineradora e exigiriam grande esforço de gestão. Com valor de mercado em torno de R$ 1,5 bilhão, a aquisição da Paranapanema confirmaria o interesse da Vale em manter seu processo de crescimento com consolidação ainda com ativos dentro do País.

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