Depois de muita volatilidade e de operar em boa parte do pregão no território negativo, acompanhando as bolsas norte-americanas, a Bovespa conseguiu, da metade para o final da tarde, sustentar-se com sinal positivo e ampliar os ganhos, devolvendo parte das fortes perdas da véspera. A melhora em Nova York e o desempenho dos papéis do setor financeiro conduziram a elevação.

No final, as blue chips Vale e Petrobras e os papéis das siderúrgicas reforçaram o avanço.

O Ibovespa terminou o dia em alta de 4,71%, aos 35.993,33 pontos. Oscilou entre a mínima de 33.645 pontos (-2,12%) e a máxima de 36.244 (+5,44%). No mês, acumula perdas de 3,39% e, no ano, de 43,66%. O giro financeiro somou R$ 3,957 bilhões. Os dados são preliminares.

A última fotografia do Ibovespa nem de longe exibe o que foi o pregão de hoje, quando principalmente as ações de tecnologia pressionaram as bolsas norte-americanas para baixo, segurando também o desempenho no Brasil. E isso ocorreu por causa dos cortes em projeções anunciados por Intel, Applied Material (AMAT) e National Semiconductor, além da migração da Dell para a lista de convicção de venda do Goldman Sachs.

A notícia de que também a Alemanha entrou em recessão - ontem o Reino Unido fez tal anúncio - e a previsão da Wal-Mart, a maior varejista do mundo, de resultado abaixo da estimativa dos analistas para o quarto trimestre também vinham segurando os papéis em baixa.

À tarde, no entanto, os papéis de tecnologia e do setor financeiro viraram para cima e levaram os índices acionários dos EUA a renovarem as máximas, ao redor de 2% de ganhos. Às 18h18, o Dow Jones subia 1,95%, o S&P, 2,23% e o Nasdaq, 1,88%.

A alta do petróleo no exterior também ajudou a Bovespa, já que Petrobras, com a melhora nos EUA, conseguiu virar para cima e subir mais de 2%. As ON avançaram 2,77% e as PN, 2,33%. Vale e as siderúrgicas também deram sua cota de contribuição. Vale ON, +3,33%, PNA, +1,59%, Gerdau PN, +2,88%, Metalúrgica Gerdau PN, +4,6%, CSN ON, +4,59%, Usiminas PNA, +3,95%.

Mas foram os bancos as estrelas do pregão, graças aos balanços de Banco do Brasil e Caixa Econômica e o detalhamento da fusão entre Itaú e Unibanco. Banco do Brasil divulgou lucro líquido recorrente de R$ 2,04 bilhões, 26,1% acima da previsão de analistas consultados pela Agência Estado, de R$ 1,615 bilhão. Já a Nossa Caixa teve lucro líquido de R$ 69,8 milhões no terceiro trimestre de 2008, contra prejuízo líquido de R$ 67,9 milhões em igual período do ano passado. No caso de Itaú e Unibanco, os bancos enviaram ao mercado novo fato relevante com detalhes sobre o processo de união no qual informam, entre outras coisas, que, com base nas relações de troca estabelecidas entre Itaú e Unibanco, a avaliação atribuída para o Unibanco na transação é de R$ 29,4 bilhões, equivalente a 2,3 vezes seu valor patrimonial contábil. Segundo analistas, a união proporcionará impacto positivo em resultados, também beneficiando as ações envolvidas.

BB ON, +6,9%, Itaú PN, +9,18%, Unibanco Unit, 10,94%, Bradesco PN, 9,20%, Itaúsa PN, +11,6%, e Nossa Caixa ON, +5,16%,

Um consultor de um banco doméstico destacou que a recuperação de hoje segue o comportamento das últimas semanas, com características frágeis. "Quando a Bolsa dá um gap de elevação, surge um número ruim e a fragilidade volta", disse. Ele se referia aos dados fracos da economia real que pipocam no exterior, mas também lembrou que os holofotes estão sobre os emergentes, especificamente os Brics, com os problemas na Rússia e o enfraquecimento da economia chinesa.

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