SÃO PAULO - Dando continuidade ao movimento travado nos dois últimos pregões, o Ibovespa deve iniciar as operações desta terça-feira em queda. A sinalização parte do índice futuro que, há pouco, recuava 1,36%, aos 66.

940 pontos. Ontem, o desempenho do principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) foi pressionado pelas ações da Petrobras e encerrou a jornada em baixa de 0,61%, aos 67.119 pontos, com giro financeiro de R$ 6,534 bilhões. As ações da Petrobras lideraram as perdas do Ibovespa, em meio a novas incertezas sobre o processo de capitalização e a um rebaixamento da recomendação do JP Morgan. Os papéis PN giraram R$ 918,4 milhões e despencaram 3,96%, a R$ 31,50, na menor cotação desde 1º de setembro de 2009. Já as ações ON cederam 4,19%, a R$ 35,40. Enquanto não são divulgados os indicadores americanos do dia, os investidores adotam maior cautela no cenário externo, ainda preocupados com a situação europeia e também atentos à evolução da economia chinesa. O índice de gerentes de compra do HSBC, que mede o desempenho do setor manufatureiro da China, continua crescendo, mas a uma taxa mais moderada. O indicador ficou em 55,4 em abril, ante os 57 de março. De qualquer maneira, o indicador supera a marca de 50, que separa a expansão da contração, há mais de 10 meses. Nos Estados Unidos, os agentes aguardam os dados das encomendas feitas à indústria no mês de março, assim como as vendas de imóveis pendentes do mesmo período. O secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, discursará nesta manhã. Na agenda doméstica, a produção industrial brasileira mostrou um resultado melhor que o previsto, ao crescer 2,8% entre fevereiro e março, com ajuste sazonal. No confronto com o terceiro mês de 2009, o indicador subiu 19,7% e registrou a quarta elevação seguida de dois dígitos neste tipo de comparação. Pela manhã, os índices futuros americanos recuavam, no mesmo sentido do mercado europeu. As bolsas asiáticas também encerraram o pregão em queda, com os investidores analisando o desempenho de bancos e de companhias do setor industrial. O índice Shanghai Composite, de Xangai, declinou 1,23%, aos 2.835 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng teve retração de 0,23%, aos 20.763 pontos. Já o Kospi, de Seul, caiu 0,14%, para 1.718 pontos. O mercado em Tóquio não funcionou por conta de feriado. Na continuidade da temporada de balanços nacionais, o Itaú Unibanco revelou que teve lucro líquido de R$ 3,234 bilhões entre janeiro e março deste ano, um crescimento de 60,5% ante igual intervalo de 2009, quando a instituição ganhou R$ 2,015 bilhões. O lucro líquido recorrente subiu 23,7%, para R$ 3,168 bilhões. A carteira de crédito, incluindo avais e fianças, somou R$ 284,7 bilhões, uma evolução de 4,4% no comparativo com o resultado ao fim de março de 2009. Já a Gafisa registrou lucro líquido de R$ 64,819 milhões no primeiro trimestre, um aumento de 76,5% em relação aos R$ 36,733 milhões apurados em igual período de 2009. A receita líquida cresceu 67,5%, para R$ 907,585 milhões. Ainda no setor imobiliário, matéria publicada na edição de hoje do Valor informou que a PDG Realty comprou a Agre e irá disputar com a Cyrela a liderança do mercado imobiliário brasileiro. Não há dinheiro envolvido na operação. Será uma compra com troca de ações, na qual a PDG incorpora 100% da Agre. Em valor de mercado, a nova empresa nasce praticamente empatada com a Cyrela: R$ 8,8 bilhões (R$ 2,4 bilhões da Agre e R$ 6,4 bilhões da PDG) contra R$ 8,9 bilhões da Cyrela. A nova empresa será a soma de quatro incorporadoras: Agra, Klabin Segall, Abyara e PDG Realty - esta última nasceu dos ativos imobiliários do Pactual e tem participação em várias empresas. Recentemente incorporou a totalidade das ações da Goldfarb, empresa de baixa renda, e a carioca CHL. No segmento de telecomunicações, a TIM Participações conseguiu voltar ao azul, com um lucro líquido de R$ 29,951 milhões entre janeiro e março. Em mesmo período de 2009, contudo, tinha registrado prejuízo, de R$ 165,239 milhões. No mercado de câmbio, o dólar opera em alta nesta terça-feira. Há pouco, a moeda americana subia 0,51%, cotada a R$ 1,741 na venda, enquanto o contrato futuro de junho avançava 0,69%, para R$ 1,750. (Beatriz Cutait | Valor)

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