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SÃO PAULO - O mercado brasileiro deve abrir o mês de maio em alta, com os investidores atentos ao cenário internacional. O acordo feito na Europa para socorrer a Grécia e indicadores americanos se destacam no dia.

Há instantes, o Ibovespa futuro subia 0,14%, aos 68.300 pontos. Na sexta-feira, o Ibovespa caiu 0,66%, aos 67.529 pontos. O giro financeiro ficou em R$ 7,258 bilhões. Na semana, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acumulou queda de 2,85% e, em abril, o índice recuou 4,04%. Os ministros das Finanças da zona do euro aceitaram ontem ativar o mecanismo de ajuda à Grécia para tentar conter a crise da dívida do país e evitar que ela contamine o resto da Europa. Os europeus e o Fundo Monetário Internacional (FMI) contribuirão com 110 bilhões de euros, cerca de US$ 146 bilhões, nos próximos três anos. Do valor total, 80 bilhões de euros devem vir dos países da zona do euro. No primeiro ano de aplicação do plano, a Grécia deve receber 30 bilhões de euros da Europa. O governo grego aceitou o acordo de socorro financeiro e as condições de adotar duras medidas de reforma econômica e social. Ainda ontem, as autoridades gregas comunicaram que vão cortar os gastos públicos para trazer o déficit para baixo do teto estabelecido no pacto europeu, de 3% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2014. Os cortes no orçamento deve alcançar 30 bilhões de euros nos próximos três anos. No continente asiático, o banco central da China anunciou o aumento da alíquota do depósito compulsório para a maioria das instituições financeiras do país. Foi a terceira vez neste ano que a autoridade monetária toma tal decisão. Ainda na agenda de hoje, destaque para os indicadores de renda e gasto do americano, além dos gastos com construção, vendas de veículos e o índice de atividade no setor industrial. Pela manhã, os índices futuros americanos subiam, na direção oposta a das bolsas europeias. Já o mercado asiático encerrou a jornada com queda, com os agentes analisando a decisão do governo chinês. Em Hong Kong, o Hang Seng teve retração de 1,4%, aos 20.811 pontos, enquanto, em Seul, o Kospi registrou declínio de 1,17%, para 1.721 pontos. As bolsas de Tóquio e Xangai não funcionaram por conta de feriado. No ambiente corporativo doméstico, a Petrobras e o grupo Tereos, controladora da Açúcar Guarani, anunciaram na sexta-feira uma parceria estratégica no setor de açúcar e álcool. Pelo acordo, a estatal vai comprar, em duas etapas, 45,7% do capital da Açúcar Guarani, por R$ 1,6 bilhão, no prazo de até 5 anos. Haverá ainda uma opção para ampliar essa fatia para até 49%. O negócio tem como objetivo acelerar o crescimento da Guarani na indústria brasileira de etanol, açúcar e bioenergia. Além disso, a Petrobras firmou com o governo de Portugal, por meio de sua subsidiária Petrobras International Braspetro BV, acordo para a exploração de petróleo em águas profundas na Bacia do Alentejo. A Petrobras terá uma participação de 50% nos blocos de Gamba, Lavagante e Santola, e será a operadora dos três blocos. A região compreende uma área de aproximadamente 9 mil quilômetros quadrados, em profundidade de água de 200 metros até 3 mil metros. A estatal ainda revelou que a cessão onerosa de até 5 bilhões de barris de óleo deverá ser feita apenas com base na certificação feita pela DeGolyer & MacNaughton, consultoria contratada pela empresa. A decisão foi tomada sexta-feira pelo Conselho de Administração, que também recomendou que a capitalização da empresa, prevista para ser privada (restrita aos atuais acionistas), seja aberta a investidores que não possuem papéis da companhia. Em fato relevante, a companhia revelou que o prazo para que a certificação encomendada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) fique pronta vai estourar"a data planejada para implementar as operações de capitalização e de cessão onerosa". O Conselho manteve a meta para que as operações de capitalização e cessão onerosa sejam realizadas até julho. Já a Vale anunciou que, apesar de deter ativos de classe mundial para produção de matérias-primas do alumínio - bauxita e alumina -, transferiu ao grupo norueguês Norsk Hydro ASA todas as suas operações do setor de alumínio no Brasil por se ver sem potencial de crescimento na cadeia de fabricação do metal devido à falta de acesso a fontes de energia de baixo custo. Em troca, a companhia brasileira vai receber US$ 1,1 bilhão em dinheiro e ações que vão lhe garantir 22% do capital da Hydro, tornando-se seu segundo maior acionista. A norueguesa assume também uma dívida US$ 700 milhões. O valor total da operação é avaliado em US$ 4,9 bilhões. Com a transação, a Hydro passa a controlar no Brasil, em instalações existentes no Pará, 51% da fabricante de alumínio Albrás, 91% da produtora de alumina Alunorte e 81% da CAP, refinaria de alumina ainda em desenvolvimento. No futuro, também vai absorver 60%"Bauxite JV", empresa vai gerir a Paragominas, mineradora de bauxita da Vale, que é a terceira do mundo. Tem ainda a opção de comprar o restante das suas ações, em duas parcelas de 20% cada uma, em 2013 e 2015. No setor de telecomunicações, a Vivo revelou que o primeiro trimestre de 2010 foi marcado por lucro líquido de R$ 191,9 milhões, ou 44,3% superior aos R$ 133 milhões obtidos nos mesmos três meses do calendário anterior. E começa a vigorar hoje a nova carteira teórica do Ibovespa, que contará com a entrada dos papéis ordinários da Agre Empreendimentos Imobiliários, Brasil Ecodiesel e Cielo. No mercado de câmbio, o dólar opera em baixa no primeiro dia de negócios de maio. Há pouco, a moeda americana perdia 0,40%, cotada a R$ 1,731 na venda, enquanto o contrato futuro de junho recuava 0,34%, para R$ 1,7405. (Beatriz Cutait | Valor)

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