O Ibovespa interrompe hoje uma série de três altas consecutivas, pressionado principalmente pelo desempenho negativo das ações de bancos, do setor siderúrgico e da Vale. Os papéis da Petrobras também colocam peso negativo sobre o índice, porém com menos vigor que os da Vale.

Logo cedo, a mineradora informou que cortará sua produção de 30 milhões de toneladas, confirmando a deterioração do cenário para as companhias ligadas a commodities metálicas. Destaque ainda para as ações PNB de Aracruz, que sustentam-se em recuperação e lideram as altas do índice, e para as ordinárias de Lojas Renner, que respondem pela maior baixa do índice.

Nas mesas de operação, cogita-se a possibilidade de o Ibovespa inverter o sinal até o encerramento dos negócios regulares, em razão da melhora nas bolsas internacionais por volta do meio-dia e pelo fato de ser final de mês, quando ocorre o tradicional ajuste de carteiras. Há pouco, os principais índices acionários norte-americanos, que passaram para território negativo pouco depois da abertura, subiam 0,26% (Dow Jones) e 0,19% (S&P 500). O Nasdaq perdia 0,39%. "O único senão fica por conta das commodities, que seguem em queda lá fora e têm peso importante no índice", disse um analista.

Os papéis da Vale caem acentuadamente, na esteira do anúncio de corte de produção e da queda forte dos preços dos metais. Há pouco, a ON cedia 3,35% e a PNA, -3,57%. Petrobras ON recuava 2,67% e Petrobras PN, -1,66%. No caso da mineradora, a expectativa de resultados mais fracos em razão da parada de produção e a queda dos preços do minério de ferro e do níquel jogam pressão. Em Petrobras, pesa a desvalorização do petróleo.

Os bancos também devolvem parte dos ganhos das últimas sessões, que vieram na esteira dos resultados do terceiro trimestre e das medidas do Banco Central com vistas a ampliar a liquidez do sistema. Há pouco, Itaú PN caía 3,19%, Bradesco PN perdia 5,14%, Unibanco Unit recuava 2,57% e Banco do Brasil ON, -3,48%. As ações da Nossa Caixa cediam 9,12%, entre as maiores baixas do índice, com a possibilidade de alteração da Medida Provisória 443, que facilitaria a compra do banco pelo BB.

As siderúrgicas também pressionam para baixo o Ibovespa diante da deterioração do cenário para o setor. Há pouco, Usiminas ON perdia 3,13%, Usiminas PNA caía 2,73% e CSN ON, -4,86%. Gerdau PN subia 1,46% e Metalúrgica Gerdau PN, +1,50%.

Na ponta oposta do Ibovespa, destaque para as ações PNB de Aracruz, que dão continuidade ao movimento de recuperação iniciado ontem. Há pouco, os papéis ganhavam 10,80%, na maior alta do Ibovespa. Conforme reportagem publicada hoje pelo jornal O Estado de S. Paulo, a Aracruz liquidou ontem 85% de suas posições de derivativos de câmbio e deve liquidar o restante até o final do dia, revelam fontes próximas às negociações. Ao câmbio atual (R$ 2,10), as perdas são estimadas em cerca de US$ 2 bilhões, ou um ano de exportações de celulose. Uma vez liquidadas as posições, bancos e empresa terão trinta dias para negociar prazos e condições para o pagamento da dívida.

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