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Ibovespa cai 10% e volta a nível de setembro de 2006

Em mais uma sessão de forte pessimismo com a perspectiva para a economia global, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou em baixa de 10,18%, aos 35.069,73 pontos.

Agência Estado |

Este é o menor nível do índice desde 25 de setembro de 2006 (quando encerrou aos 34.972,74 pontos).

Quando o Ibovespa atingiu queda de 10%, às 17h18, a Bolsa voltou a acionar o circuit breaker. Foi a quarta sessão este mês e a quinta este ano em que o mecanismo precisou ser utilizado. Por ocorrer na última hora de pregão, a Bovespa prorrogou o horário do fechamento para as 18h18, a fim de garantir um período final de 30 minutos corridos, como exige o regulamento da Bolsa. Durante a jornada, as operações locais seguiram a direção dada pelos mercados globais, após nova rodada de resultados corporativos fracos enfatizar os riscos do potencial desaquecimento mundial para vários setores

O dia foi todo de queda: na máxima, o Ibovespa alcançou 39.043 pontos, estável. Na mínima, recuou 10,28%, aos 35.028 pontos. O volume financeiro totalizou R$ 4,428 bilhões. No mês, o declínio alcança 29,21% e no ano, 45,11%.

Com o acionamento do circuit breaker hoje, em número desse tipo de ocorrência, o ano de 2008 já superou o de 1998, quando em meio à crise da Rússia o mecanismo foi utilizado nos dias 21 de agosto e 4, 10 (quando foi acionado duas vezes) e 17 de setembro. Além de hoje, a Bovespa também acionou o circuit breaker este ano em 29 de setembro, 6 (quando também foi acionado uma segunda vez, quando as perdas superaram 15%), 10 e 15 de outubro.

"O mercado repetiu o 'padrão' de comportamento diante do medo de recessão mundial. E como o Ibovespa tem muitos papéis de empresas relacionadas a commodities (matérias-primas, que sofrem em períodos de desaquecimento econômico), acaba caindo mais do que os índices no exterior", resumiu Alexandre Horstmann, diretor de gestão da Meta Asset Management. "Como bom psicótico-maníaco-depressivo, em um dia a queda é por causa da apreensão de colapso financeiro; no outro, medo do lado real da economia", comparou o profissional. Hoje, foi este segundo temor o que prevaleceu na direção dos negócios. E não foi gratuito.

Na safra de balanços nos EUA, a fabricante de aeronaves Boeing e a farmacêutica Merck divulgaram queda nos lucros e o banco Wachovia anunciou prejuízo no terceiro trimestre. Em Wall Street, a reação aos números manteve os pregões no vermelho. O índice Dow Jones encerrou em baixa de 5,69%, o S&P-500 caiu 6,10% e o Nasdaq declinou 4,77%. Na Europa, o dia também foi negativo: a Bolsa de Londres perdeu 4,46% e a de Paris, 5,10%. "Praticamente todo mundo está se preparando para uma recessão", disse o estrategista James Montier, do Société Générale, à Dow Jones.

Nesse contexto, os preços das commodities também desabaram hoje nos mercados futuros internacionais. Fundos voltaram a liquidar posições de compra nos mercados de energia, metais e produtos agrícolas, colocando o principal índices de commodities, o CRB, no nível mais baixo em quase cinco anos. O petróleo negociado em Nova York cedeu 7,5%. As brasileiras Petrobras e Vale sentiram a forte baixa nos preços das matérias-primas. As ações PN da Petrobras caíram 7,20% e as ON recuaram 7,91%. No caso da Vale, as PNA declinaram 8,68% e as ON desvalorizaram-se 5,69%.

Outras ações com participação importante no Ibovespa, as siderúrgicas, também sofreram diante da perspectiva de retração do consumo global. Usiminas PNA cedeu 12,90%, CSN ON perdeu 12,24% e Gerdau PN caiu 10,40%.

Bancos

O mercado doméstico ainda foi contaminado por uma onda de rumores relacionada a bancos brasileiros, após o anúncio de uma medida provisória que autoriza o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a constituírem subsidiária e a adquirirem participação, e até o controle, de instituições financeiras sediadas no Brasil. "A MP permitiu a leitura de que existem instituições fragilizadas e que precisam de socorro imediato, piorando o sentimento para o setor financeiro, que ainda especula sobre perdas consideráveis em derivativos cambiais", observou Paulo Rebuzzi, operador de bolsa na corretora Ativa S.A.

No setor bancário, as ações refletiram o receio gerado com as medidas, apesar de o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reforçar que não tem banco quebrando no Brasil e que o sistema financeiro brasileiro é sólido. Segundo ele, a MP divulgada hoje busca criar um conjunto de alternativas para viabilizar uma solução para os problemas de liquidez, que atingem especialmente os bancos de pequeno e médio portes.

Apesar de tais declarações, Bradesco PN caiu 11,50%, Itaú PN cedeu 12,14% , Banco do Brasil ON perdeu 15,37% e Unibanco Unit desvalorizou-se 13,50%. Entre os papéis que não fazem parte do índice, Daycoval PN caiu 8,84%, Banco Pine PN, 12,96% e Sofisa PN, 4,62%, entre outras baixas.

As maiores quedas no Ibovespa foram registradas por TIM Participações S.A. ON (-21,92%), Gafisa ON (-20,04%) e ALL Unit (-19,76%). Nenhuma das 66 ações do índice encerrou em território positivo.

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