O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) ampliou as perdas no início desta tarde e cai mais de 3,5%, abaixo dos 50 mil pontos, diante das incertezas de aprovação pelo Congresso americano do plano de resgate de US$ 700 bilhões, proposto pelo governo dos Estados Unidos com o objetivo de estancar a crise do sistema financeiro. Outro movimento são os investidores olhando com lupa as companhias listadas na Bovespa em busca daquelas que poderiam, eventualmente, anunciar baixas financeiras em razão de operações com contratos futuros de câmbio, a exemplo do que ocorreu com Sadia e Aracruz.

"Hoje há um combo de notícias que joga pressão negativa na Bovespa", afirmou um operador.

Pouco antes das 13 horas (de Brasília), o Ibovespa recuava 3,71%, a 49.903 pontos, na taxa mínima do dia até o momento, e registrava um volume financeiro de R$ 2,26 bilhões. No mesmo horário, o índice Dow Jones caía 0,4% e o S&P 500 tinha queda de 1,31%.

No cenário internacional, segue o impasse em torno da aprovação do plano de socorro ao sistema financeiro americano. Mais cedo, o presidente dos EUA, George W. Bush, voltou a pressionar os congressistas a agir rapidamente sobre a legislação, afirmando que "algo substancial precisa ser feito" para impedir que a crise de crédito se intensifique.

Enquanto os congressistas não chegavam a um acordo, a crise dava nova mostras de sua gravidade. Ontem, o maior banco de poupança dos EUA, o Washington Mutual, sucumbiu à crise, na maior falência bancária da história dos país, foi assumido pelas autoridades reguladoras federais e rapidamente adquirido pelo JPMorgan por US$ 1,9 bilhão.

Por aqui, os comunicados de Sadia e Aracruz acerca de perdas financeiras com operações no mercado futuro de câmbio trouxeram preocupação adicional aos investidores. No final da tarde de ontem, a Sadia informou que registrou perdas de R$ 760 milhões ao tentar liquidar antecipadamente operações financeiras no mercado de câmbio. Hoje, a Aracruz veio a público comunicar que o volume de perdas com câmbio futuro pode ter excedido os limites previstos na política financeira da companhia. Ainda no horário citado acima, as ações preferenciais (PN) da empresa processadora de alimentos despencavam 33,12%, enquanto os papéis da fabricante de papel e celulose cedia 18,91%.

Conforme operadores, o mercado está investigando quais companhias, sobretudo as exportadoras, podem ter operado no mercado futuro além do necessário para a proteção de seu fluxo de caixa. "O problema não é hedge, que é uma operação de proteção. O problema é se as companhias especularam com contratos futuros", afirmou um profissional.

Também entre os destaques de baixa estavam as ações da Vale, cujo papéis PN classe A (PNA) tinham perdas de 5,42%, por volta das 13 horas. Sobre os papéis da mineradora, lembraram os operadores, pesam notícias veiculadas na China sobre a suposta suspensão do fornecimento de minério de ferro da companhia para siderúrgicas daquele país, além do recuo do preço dos metais nas bolsas internacionais.

Hoje, a edição online do jornal chinês China Daily informa que a decisão das siderúrgicas chinesas de usarem suprimentos domésticos ocorre após a Vale ter interrompido parte de seus embarques para o país, em razão de uma disputa de preços. Antes, o jornal chinês ShangaiDaily, citando o China Securities Journal, afirmava que a China iria interromper as importações de minério de ferro da Vale no curto prazo. Para a Associação de Aço e Ferro da China, tal decisão se justificaria pela fraca demanda por produtos de aço nos mercados doméstico e estrangeiro e das vantagens de preço e qualidade do minério local.

Maiores altas

Na ponta oposta do Ibovespa, as ações da Eletrobrás seguiam na relação de maiores altas, na esteira da informação de que os dividendos retidos pela companhia entre os anos 70 e 80, devidos a acionistas detentores de papéis ordinários (ON), poderão ser pagos em janeiro.

As ações ON da Eletrobrás subiam 1,82% e os papéis PN classe B (PNB) da Eletrobrás PNB avançava 2,32%, também no mesmo horário.

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