A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) voltou a abrir em baixa hoje, deixando para trás a recuperação da véspera, quando fechou em alta de 1,68%, com os investidores preocupados com a possibilidade de surgirem novas vítimas no setor financeiro. Mesmo com a ajuda do governo dos Estados Unidos à seguradora americana American International Group (AIG), o mercado continua muito contaminado e requer extrema cautela, dizem os especialista.

Às 10h17 (de Brasília), o Índice Bovespa caía 2,45%, a 48.023 pontos, na mínima do dia até o momento.

O noticiário financeiro segue intenso. As ações da AIG caíam 13% mais cedo no pré-mercado em Nova York, depois de o governo dos EUA ter concordado em assumir a seguradora, em uma operação de resgate de até US$ 85 bilhões. Segundo analistas, o acordo mostrou o quão preocupado o governo estava com os efeitos de um colapso da AIG sobre o sistema financeiro. A decisão marcou uma reviravolta na postura do governo, que vinha resistindo fortemente em intervir na AIG e não evitou que o banco de investimento Lehman Brothers entrasse com pedido de concordata.

As ações do Lehman caíam 23% também no pré-mercado em Nova York, depois que o Barclays concordou em comprar, por 140 milhões de libras esterlinas (US$ 250 milhões), os negócios de renda fixa e venda de ações, negociações de ativos e pesquisa e de banco de investimento, e por 800 milhões de libras (US$ 1,43 bilhão) a sede do Lehman em Nova York e os dois centros de dados em Nova Jersey. A queda das ações reflete o fato de que o valor do acordo é apenas uma pequena fração do que poderia ter sido fechado 18 meses atrás.

Já as ações do Barclays subiam 14% na Europa, dando uma contribuição positiva para as bolsas locais, que ontem encerraram os negócios antes da melhora do mercado em Wall Street, que também fechou em alta. Mas os ganhos já diminuíram bem em relação ao início do pregão. Ainda por lá, no Reino Unido, a maior financiadora de hipotecas, a HBOS, confirmou estar em negociação avançada com o Lloyds TSB Group.

O petróleo, que ontem fechou no patamar de US$ 91 o barril em Nova York, operam em alta esta manhã. Petrobras, que ontem fechou na contramão da matéria-prima (commodity) com alta de mais de 5% em um movimento puramente de recuperação técnica, hoje, teoricamente, poderia se beneficiar dos ganhos do petróleo. No entanto, esse mercado hoje deve ser influenciado pelos dados de estoques de petróleo e derivados nos EUA na última semana, a serem anunciados às 11h35 (de Brasília), cuja expectativa é de queda nos estoques. Às 10h16, as ações ordinárias (ON) e preferenciais (PN) da estatal petrolífera caíam 1,35% e 1,41%, respectivamente, enquanto o contrato futuro do petróleo tipo WTI com vencimento em outubro subia 2,58% a US$ 93,50 o barril, na sessão eletrônica da Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês).

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