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Estudo divulgado pelo instituto de pesquisa entrevistou 20 mil pessoas para entender seus comportamentos e hábitos de consumo

Consumidores durante um feirão de automóveis: 9,5 milhões de pessoas da classe C pretendem comprar um carro novo ou usado nos próximos 12 meses
AE
Consumidores durante um feirão de automóveis: 9,5 milhões de pessoas da classe C pretendem comprar um carro novo ou usado nos próximos 12 meses
A estabilidade da economia brasileira fez com que a classe C crescesse 25% nos últimos oito anos. Com pouco menos de 100 milhões de pessoas, ela foi beneficiada pelo aumento do salário mínimo, o controle da inflação, a geração de empregos e os benefícios sociais, como o Programa Bolsa Família. Apesar do crescimento e da maior participação na economia do País, a classe C ainda tem dificuldades quando o assunto é finanças pessoais. Estudo divulgado nesta terça-feira pelo Ibope Mídia revela que 39% da classe C não sabem nada sobre investimentos e finanças.

Batizado de “Classe urbana do Brasil", o estudo revela que o número de pessoas da classe C que usa cartão de crédito subiu oito pontos porcentuais entre 2005 e 2009, chegando a 53% da população. É um avanço considerável, mas ainda muito pouco quando comparado com as classes A e B, onde 83% das pessoas têm algum tipo de cartão de crédito. “A classe C representa um grande potencial para o uso de produtos financeiros vinculados às compras”, afirma o estudo.

O Ibope Mídia entrevistou cerca de 20 mil pessoas nas nove maiores regiões metropolitanas do País, além de Campinas e o interior das regiões Sul e Sudeste. O objetivo é conhecer o comportamento e hábitos de consumo da população cuja renda varia entre R$ 600 e R$ 2.099. As constatações jogam luz sobre metade da população do País, que até pouco tempo atrás era pouco conhecida pelos empresários. “Muitos setores da indústria de bens e serviços têm se beneficiado nessa esteira de crescimento”, diz um trecho o relatório.

Além de serviços financeiros, o estudo do Ibope Mídia revela o comportamento e os hábitos da classe C em outros setores da economia. São eles:

Otimismo econômico

A classe C está mais otimista com a situação da economia brasileira. Em 2005, 40% das pessoas acreditavam estar numa situação melhor em relação ao ano anterior. No ano passado, esse número subiu para 50%. Já em relação às perspectivas futuras, o percentual de otimismo também aumentou: passou de 74% em 2005 para 84% no ano passado. É um ponto porcentual a mais do que a média nacional.

Automóveis

De acordo com o estudo, 9,5 milhões de pessoas da classe C pretendem comprar um automóvel nos próximos 12 meses, seja novo ou usado. “Esse é um mercado cuja demanda reprimida é altíssima, capaz de fazer crescer consistentemente a indústria automobilística por um bom tempo”.

Compras

Cerca de 65% da classe C2 planeja bem a compra de produtos caros. Mas quando vão ao supermercado, 29% se dizem impulsivos. Outro dado revela que 41% dessa parcela da população acredita que a propaganda apresenta uma imagem verdadeira de produtos de empresas conhecidas.

Outros

Em relação a imóveis, 19% da classe C planejam comprar a casa própria nos próximos meses. Entre os produtos com penetração menores, como creme para o corpo, hidratante e produto para limpeza facial, apenas enxágue bucal e protetor solar têm potencial de crescimento na classe C. E uma grande parcela dos entrevistados (o estudo não revelou o número de quantos) declarou preferir as empresas que se comprometem a combater as desigualdades sociais.

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