A redução da oferta de crédito por causa da crise internacional é o principal motivo apontado pelo técnico da coordenação de comércio e serviços do IBGE, Nilo Lopes, para a desaceleração nos dados do varejo em novembro. As atividades mais sensíveis ao crédito foram as mais atingidas, enquanto as vinculadas à renda mantiveram resultados positivos, disse Lopes.

O aumento de 5,1% nas vendas do varejo em novembro ante novembro de 2007 foi a menor expansão apurada pelo IBGE ante igual mês de ano anterior desde julho de 2005 e também a menor para um mês de novembro desde 2004.

Lopes destacou que, das sete atividades pesquisadas na pesquisa de comércio varejista, cinco mostraram forte desaceleração nos resultados de outubro para novembro, na comparação com igual mês de ano anterior. É o caso de segmentos como equipamentos para escritório e informática (42,8% em outubro para 20,8% em novembro), móveis e eletrodomésticos (15,7% para 4,5%), combustíveis e lubrificantes (10,9% para 5,5%) e outros artigos pessoais e de uso doméstico (inclui lojas de departamento e passou de variação de 12,1% para 6,5%). "Todas essas atividades vinham crescendo especialmente por causa da atividade do crédito e foram muito afetadas", disse Lopes.

A atividade de tecidos, vestuário e calçados registrou queda de 8,7% nas vendas em novembro e, segundo Lopes, é a primeira vez que uma atividade pesquisada mostra queda nas vendas, na comparação anual, desde dezembro de 2006. Segundo ele, o aumento no dólar reduziu as importações e elevou o preço das roupas, afugentando os consumidores.

Lopes sublinhou que, por outro lado, com a desaceleração nos aumentos nos produtos alimentícios e a continuidade do crescimento da renda, a atividade de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo registrou alta de 6% em novembro ante novembro de 2007 e foi responsável, sozinha, por 56%, ou 2,9 ponto porcentual do aumento de 5,1% nas vendas totais do varejo no período.

Apesar da desaceleração nos resultados do comércio varejista, Lopes destacou que os resultados acumulados do setor prosseguem "substanciais" e o aumento acumulado nas vendas de janeiro a novembro de 2008 chegou a 9,8%, acima do aumento de 9,7% acumulado em todo o ano de 2007. "Até os dados de novembro, o comércio vai muito bem em relação ao ano anterior", disse.

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