A queda de 9,0% no Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária no terceiro trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado, foi influenciada por uma forte queda na produtividade de vários itens agrícolas. A análise foi feita hoje pela gerente de Contas Trimestrais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rebeca Palis.

"Ou seja: nós mantivemos quase que a mesma área plantada do ano passado, mas o que levou ao recuo do PIB do setor foi mesmo uma redução na produtividade destas mesmas áreas", explicou.

Pela manhã, o IBGE informou que PIB do terceiro trimestre deste ano subiu 1,3% em relação ao trimestre anterior e caiu 1,2% em relação ao período de julho a setembro de 2008. O PIB da agropecuária apresentou os piores resultados.

Entre os motivos para o desempenho negativo, estão as previsões de queda, este ano, da produção de itens importantes para a agricultura, na comparação com 2008. É o caso de trigo (queda de 15,1%), café (baixa de 13,8%), mandioca (recuo de 0,3%) e laranja (baixa de 0,1%), cujas estimativas de baixa de produção já tinham sido reveladas pelo IBGE, durante a divulgação do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de outubro.

No entanto, Rebeca lembrou que há uma previsão de forte aumento na produção de cana-de-açúcar (alta de 6,9%) de 2009 ante 2008, o que também foi mostrado pelo LSPA.

PIB da indústria

Já a queda de 6,9% do PIB da indústria no terceiro trimestre deste ano, ante igual trimestre do ano passado, foi influenciada por recuo de 8,4% no PIB da construção civil, no mesmo período. "Mas essa queda na construção civil já foi mais intensa. Na comparação com igual trimestre do ano anterior, houve taxas negativas de 9,6% no primeiro trimestre e de 9,3% no segundo trimestre", destacou Rebeca.

O recuo do PIB industrial também contou com outro forte impacto negativo: a queda de 7,9% do PIB da indústria da transformação, no terceiro trimestre deste ano ante o mesmo período do ano passado. "As maiores quedas na produção da indústria da transformação foram detectadas em setores voltados para a produção de bens de capital", afirmou a especialista. Os destaques negativos ficaram com os segmentos de máquinas e equipamentos, metalurgia, produtos de metal, automóveis e materiais elétricos e eletrônicos.

PIB de serviços

O aumento de 2,1% no PIB de serviços no terceiro trimestre deste ano, ante igual período do ano passado, foi fortemente influenciado pela elevação de 6,1% nos serviços de intermediação financeira e seguros, de acordo com Rebeca. "Podemos dizer que o setor de serviços foi afetado pela crise, mas não tão afetado quanto os setores mais voltados para o comércio exterior, como a indústria, por exemplo", comentou.

Segundo ela, além dos serviços de intermediação financeira, o IBGE apurou aumentos nos serviços de informação (4,5%), em outros serviços (4,9%), na administração de saúde e educação públicas (3,2%) e nos serviços imobiliários e de aluguel (1,4%), no terceiro trimestre deste ano, ante o mesmo trimestre de 2008.

Consumo das famílias

O aumento de 3,9% no consumo das famílias no terceiro trimestre, informado hoje pelo IBGE, representou o 24º crescimento consecutivo na comparação com igual trimestre do ano anterior. "O consumo também registrou desaceleração em relação às taxas de crescimento apuradas até o terceiro trimestre do ano passado, mas nunca chegou a ficar com taxa negativa (desde o início da crise), porque continuamos com expansão do crédito, aumento da massa salarial, da ocupação e do rendimento médio", observou Rebeca.

Já o crescimento de 6,5% na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) no terceiro trimestre representou a maior alta ante um trimestre imediatamente anterior apurada pelo IBGE desde o primeiro trimestre de 2006. Rebeca observou que a indústria e os investimentos, que registraram os piores resultados no auge da crise, estão agora puxando a recuperação da economia.

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