A menor oferta de financiamento à produção agrícola por causa da crise, o recuo de preços das commodities e o clima desfavorável vão levar a uma queda de 5,9% na safra de grãos de 2009, para 137,3 milhões de toneladas, ante 145,8 milhões de toneladas no ano passado, segundo o IBGE. O principal produto da safra agrícola nacional, a soja, vai registrar este ano a primeira redução de produção em quatro anos.

Segundo o técnico da coordenação de agropecuária do IBGE, Paulo Renato Corrêa, o recuo de 1,9% previsto na produção da soja em 2009, ante o ano passado, reflete os altos custos representados pelos reajustes de preços nos insumos agrícolas, o preço pouco estimulante do produto e o clima seco em algumas importantes regiões produtoras.

Ele lembra que "a queda porcentual é pequena" mas, como a produção de soja é muito elevada (58,8 milhões de toneladas previstas para este ano), o recuo corresponde a 1,1 milhão de toneladas a menos de um ano para o outro. "Provavelmente haverá uma queda de produtividade na soja, este ano os preços dos insumos, especialmente fertilizantes, subiram muito e diminuíram o nível de fertilização das lavouras", afirmou.

Corrêa lembrou que as projeções do IBGE costumam mudar bastante entre os primeiros prognósticos - a projeção divulgada hoje é a terceira para a safra 2009, de um total de 14 a serem apresentados até o final deste ano - e o último e tudo dependerá do clima de agora em diante. "Tudo indica que as condições climáticas este ano não serão tão boas quanto o ano passado", afirmou.

Segundo ele, as enchentes ocorridas em Santa Catarina foram o principal fator que levou a uma redução na projeção do IBGE do segundo prognóstico, relativo a novembro e que apontava uma safra de 140,2 milhões de toneladas, para o de dezembro. "Certamente no próximo prognóstico haverá mais queda na projeção em Santa Catarina e essa estimativa de 137,3 milhões de toneladas já fica meio sob suspeita", disse Corrêa, sinalizando que pode ocorrer uma nova revisão para baixo na projeção no mês que vem para a safra. Outro motivo para a mudança ocorrida da projeção de novembro para dezembro, segundo ele, é a seca que ocorreu em alguns locais da região Centro-Sul.

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