Aumento pode estar associado à disponibilidade de financiamento para a compra de automóveis

As despesas mensais de consumo das famílias brasileiras com transporte aumentaram nos últimos anos e boa parte desse incremento pode estar associada ao aumento de disponibilidade de financiamento para a compra de automóveis, segundo avaliam os técnicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), divulgada hoje, mostra que em 2009 a maior parte das despesas familiares de consumo, ou 75%, estava com o trio transporte, alimentação e habitação, praticamente o mesmo porcentual que os três somavam em 2003.

Porém, enquanto a fatia da alimentação no total de despesas de consumo caiu um pouco entre 2003 (20,8%) e 2009 (19,8%), e o porcentual da habitação ficou praticamente inalterado em torno de 36% no período, no caso do transporte houve aumento de 18,4% para 19,6%, ou seja, parte dos gastos com alimentação foi deslocada para o transporte. O aumento desse grupo nos gastos de consumo ocorreu nas áreas rural e urbana.

Vale destacar o forte aumento ocorrido nas despesas de consumo com transporte, na área rural, entre 1975 (7,5%) e 2009 (20,6%). Mas a alta, desde a década de 70, também foi significativa na área urbana, onde os transportes respondiam por 11,9% das despesas em 1975 e chegaram a 19,5% em 2009.

O gerente da POF, Edilson Nascimento Silva, disse que o aumento pode refletir a maior disponibilidade de financiamento para aquisição de automóveis e também a alta nos preços dos combustíveis no período. Além do transporte, também subiram os gastos de consumo com assistência à saúde (6,5% em 2003 para 7,2% em 2009), mas caiu a parcela voltada para educação (4,1% para 3,0%).

No caso específico das despesas totais das famílias, que além do consumo incluem a aquisição de imóveis e impostos, o peso da alimentação caiu para 16,1% em 2009, ante 17,1% em 2003, enquanto os transportes passaram, no período, de uma fatia de 15,2% em 2003 para 16,0% em 2009. As despesas com consumo respondem por 80,7% das despesas totais das famílias brasileiras.

A POF mostra também que, no que diz respeito às despesas totais, a queda na fatia da alimentação não impediu um aumento da participação dos gastos mensais com alimentação fora de casa, que passou de 24,1% em 2003 para 31,1% em 2009. Enquanto as famílias urbanas direcionam 33,1% dos gastos totais mensais para comer fora, na área rural o porcentual é quase a metade, 17,5%.

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