O crescimento de 6,3% na produção da indústria brasileira no primeiro semestre deste ano representou a maior expansão para um primeiro semestre apurada pelo IBGE desde 2004. Segundo o coordenador de indústria do instituto, Silvio Sales, houve um espalhamento da expansão no primeiro semestre deste ano, com destaque para veículos automotores (18,4%, o maior impacto positivo para a indústria no período), seguido, em termos de impacto no crescimento total do setor, de máquinas e equipamentos (9,4%); outros equipamentos de transporte (33,1%); metalurgia básica (7,6%); indústrias extrativas (6,4%); outros produtos químicos (5,4%) e borracha e plástico (9,0%).

Além disso, ele destaca também a produção de bens de capital (máquinas e equipamentos), que mostra ampliação da capacidade produtiva da indústria. "O resultado do primeiro semestre confirmou o padrão de crescimento da indústria ao longo deste ano, com o maior dinamismo vindo dos setores produtores de bens de capital e de bens de consumo duráveis", disse.

Juros

Os resultados da indústria em junho são "muito favoráveis" e mostram que a alta dos juros ainda não afetou o setor, segundo Sales. "Aparentemente, a alteração na política monetária não afetou os números da indústria", afirmou. Desde abril, para combater a alta da inflação, o Banco Central está elevando a taxa básica de juros (Selic), hoje em 13% ao ano.

Para Sales, os dados da produção industrial de junho mostram uma aceleração em relação a maio, com movimento positivo em relação ao quadro de "estabilidade em patamar elevado mostrado nos meses anteriores". Porém, ele alertou que os resultados de junho refletiram um efeito positivo do calendário, já que junho deste ano teve um dia útil a mais do que maio de 2008 e do que junho do ano passado. Ele lembrou que esse efeito será favorável também em julho. Segundo Sales, "houve uma aceleração, mas é cedo para dizer que é uma tendência". Ele acrescentou que "é preciso verificar os resultados dos próximos meses para checar se o patamar conquistado se mantém ou não".

Máquinas e equipamentos

A produção de bens de capital (máquinas e equipamentos), que sinaliza o comportamento dos investimentos, registrou alta de 7,7% em junho ante maio, segundo os dados do IBGE. Na comparação com junho do ano passado, houve expansão de 20,3%. Essa categoria de uso acumulou, no primeiro semestre, aumento de 17,1% e alta de 19,5% em 12 meses.

Todas as categorias de uso pesquisadas pelo IBGE mostraram expansão em todas as bases de comparação em junho. Os bens intermediários expandiram 2,8% em junho, ante maio; 5,6%, ante junho de 2007; 5,3% no primeiro semestre e 5,4% em 12 meses. Os bens de consumo duráveis registraram alta de 7,0%, ante maio e aumento de 15,2%, ante junho do ano passado, acumulando expansão de 13,9% no primeiro semestre e de 13,7% em 12 meses.

Finalmente, os bens de consumo semiduráveis e não duráveis prosseguiram crescendo abaixo da média industrial, com alta de 1,2% em junho, ante maio; de 0,8%, ante junho de 2007 e expansão acumulada de 1,7% no primeiro semestre e de 2,8% em 12 meses.

Trimestre

A produção industrial cresceu 6,2% no segundo trimestre deste ano ante o segundo trimestre do ano passado, segundo o IBGE. Os resultados trimestrais positivos, ante igual período de ano anterior, já são registrados há 19 trimestres consecutivos. De acordo com o instituto, a indústria manteve, no segundo trimestre, o ritmo de crescimento observado no primeiro trimestre (6,3% ante igual período de 2007). Na comparação com o primeiro trimestre de 2008, houve expansão de 1% no segundo trimestre.

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