A desigualdade no País prosseguiu na lenta trajetória de queda em 2007, como mostra o índice de Gini, que mede a concentração de renda e registrou no ano passado o maior recuo ante ano anterior desde 1990. Esse índice varia de zero a 1, sendo que zero é a igualdade perfeita e o um é a máxima desigualdade.

Segundo a Pnad, o índice de Gini da distribuição de renda do trabalho passou de 0,541 em 2006 para 0,528 em 2007.

Apesar do recuo no ano passado, o Brasil continua apresentando um índice muito pior do que outros BRICs (sigla para definir os países com maior potencial entre os emergentes e que inclui o Brasil), como China (Gini de 0,470), Rússia (0,399) e Índia (0,368).

O índice brasileiro está mais próximo de países pobres como El Salvador (0,524) e, Panamá (0,561) ou africanos como Zâmbia (0,508), África do Sul (0,578), Suazilândia (0,504) e Zimbábue (0,501). "O Brasil não é um país pobre, é rico e se aproxima de países desenvolvidos em alguns indicadores, mas a distribuição de renda é como a de países que nem sabemos direito onde estão no mapa", disse o presidente do IBGE, Eduardo Nunes.

Segundo ele, a evolução dos indicadores sociais não ocorre em velocidade maior no País porque a distribuição de renda não está se ampliando mais rapidamente. "De 2006 para 2007 já houve uma redução mais acelerada na desigualdade, se for mantida essa velocidade, nos próximos anos os indicadores vão avançar mais rapidamente", disse.

O Gini de todos os rendimentos (inclui programas de transferência de renda, aplicações financeiras, renda de aluguel e aposentadorias) também vem registrando quedas sucessivas desde 2004 e passou de 0,547 em 2006 para 0,534 em 2007.

Apesar dos dados "favoráveis" dos índices de Gini, a coordenadora de trabalho e rendimento do IBGE, Márcia Quintlsr, ressalta que a distância entre os rendimentos das camadas de maior e menor renda da população mostra que a concentração, mesmo em queda, ainda é elevada.

Segundo os dados da Pnad, a desigualdade no País atingiu o ápice em 1989, quando o Gini da renda do trabalho chegou a 0,630 e o Gini de todos os trabalhos atingiu 0,647. Ambos os índices começaram a recuar desde 1993, ano em que o Gini do trabalho foi de 0,600 e o relativo a todos os rendimentos ficou em 0,603.

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