O bom desempenho do mercado de trabalho industrial em julho responde a uma aceleração na produção do setor nos últimos dois meses, observou hoje a economista Isabella Nunes, da coordenação de indústria do IBGE. Segundo ela, o emprego na indústria interrompeu, no início do segundo semestre deste ano, a trajetória de estabilidade em nível elevado do primeiro semestre e mostrou um ritmo mais acelerado de crescimento.

"A indústria mostrava estabilidade em patamar elevado no mercado de trabalho e agora registra aceleração no emprego que responde a um ritmo mais forte do setor", disse.

Segundo os dados divulgados hoje pelo IBGE, o emprego industrial cresceu 0,7% em julho ante junho e 2,8% na comparação com julho do ano passado. Isabella observou que, além dos setores que vêm puxando a ocupação industrial, mas não estão entre os mais empregadores - como máquinas e equipamentos e veículos automotores - em julho houve destaque também para a atividade de minerais não metálicos (vinculada à construção civil), intensiva em mão-de-obra e que ajudou a acelerar os resultados do mercado de trabalho da indústria.

Segundo Isabella, os dados do número de horas pagas em julho, com aumento de 0,7% ante junho e de 2,7% ante igual mês do ano passado, podem configurar uma tendência de "aumento de estoque de pessoal mais a frente", mas só os dados dos próximos meses poderão confirmar essa perspectiva.

No que diz respeito aos aumentos na folha de pagamento real do setor - 1,7% ante junho e 6,9% ante julho do ano passado -, Isabella explicou que os segmentos que mais estão contratando são também os que pagam os maiores salários, o que acaba influenciando positivamente os dados da massa salarial do setor.

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