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RIO - A forte aceleração registrada na margem da produção industrial em junho ainda não se configura em uma tendência de comportamento do setor. De acordo com o coordenador de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Silvio Sales, apesar de a alta de junho ter sido generalizada, ainda é necessário a confirmação de evidências setoriais para julho para se ter certeza sobre uma possível mudança consolidada no patamar da produção industrial no país.

Pelos dados divulgados hoje pelo IBGE, o patamar de produção superou o recorde anterior, de outubro do ano passado. A alta de 2,7% em junho em relação a maio foi a maior para este tipo de comparação desde os 3,5% de outubro de 2007. Com o resultado, o patamar de produção em junho ficou 1,6% acima do observado em outubro.

O patamar de produção foi recorde para todas as categorias de uso, com destaque para bens de capital, em que a alta de 7,7% em relação a maio foi, segundo Sales, generalizada. Bens intermediários, bens de consumo duráveis e bens de consumo semiduráveis e não-duráveis também registraram recordes.

Entre os setores, a produção atingiu nível recorde em nove grupos: celulose e papel, refino de petróleo e produção de álcool, borracha e plástico, minerais não-metálicos, metalúrgica básica, veículos, outros equipamentos de transporte, produtos de metal e mobiliário. Juntos, esses nove setores representam cerca de 40% do peso da produção industrial, que engloba o total de 27 setores.

Houve aceleração na margem, mas ainda é cedo para dizer que é tendência , frisou Sales, lembrando que junho teve um dia a mais que maio, embora, segundo ele, apenas um dia não seja suficiente para garantir uma alta tão expressiva. O crescimento na margem tem perfil generalizado , acrescentou.

O resultado do primeiro semestre de 2008, de 6,3%, representou a maior alta semestral desde os 8,3% dos seis primeiros meses de 2004. O avanço de 1% no segundo trimestre em relação aos três meses antecedentes deste ano foi a 11ª alta seguida neste tipo de comparação, enquanto a elevação de 6,2% na comparação com o intervalo de abril a junho de 2007 foi a 19ª alta consecutiva.

O crescimento em junho na comparação com maio foi generalizado, atingindo 23 ramos e todas as categorias de uso. A maior contribuição positiva foi de veículos automotores, que avançaram 9,8% em relação a maio, seguido por máquinas para escritório e equipamentos de informática, que subiu 14,2%, minerais não-metálicos, com alta de 5,8%, e outros produtos químicos, com avanço de 2,6%.

O setor automobilístico tem encadeamento importante dentro da indústria, puxando outros setores e a demanda interna é importante neste caso, com destaque para o crédito e renda , disse Sales, acrescentando que, até o momento, a trajetória de alta de juros iniciada este ano pelo Banco Central (BC) ainda não trouxe impactos para a produção da indústria.