SÃO PAULO - A mineradora Vale do Rio Doce foi autuada pelo Ibama em R$ 5 milhões pela suposta venda ilegal de 9,5 mil metros cúbicos de madeira na região de Paragominas, no Pará. Segundo o órgão, a multa foi aplicada após denúncia formal de desaparecimento de madeira na região, onde a Vale inicia suas operações de mineração de bauxita. A empresa nega irregularidades e afirma que um erro técnico grave de sua parte levou ao mal-entendido.

Não houve remoção ilegal de madeira , disse Luiz Cláudio Castro, diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Vale. Foi um erro grave amostral (sic), uma avaliação equivocada.

Antes de iniciar o trabalho de mineração, a Vale teve de solicitar, em 2005, autorização de supressão de áreas verdes à Secretaria de Meio Ambiente do Pará (Sema) para avançar suas frentes de lavra. Em seu inventário florestal, realizado a partir de uma amostragem, a empresa constatou a necessidade de retirar 11,6 mil m3 de madeira. Na operação de fiscalização, no entanto, o Ibama encontrou apenas 2,7 mil m3.

Não encontramos os outros 9 mil m3 que constavam no inventário e nem a documentação (DOF, Documento de Origem Florestal) que explicasse a destinação da madeira que faltava , afirmou Luciano Evaristo, coordenador-geral de fiscalização do Ibama. Segundo ele, dos 2,7 mil m3, 612 m3 eram de espécies de madeira que tampouco constavam no inventário florestal da Vale - e que, portanto, não poderiam ser derrubadas.

A Vale, que tem investimentos previstos de US$ 700 milhões na mina da bauxita em Paragominas, defende que o Ibama não encontrou a diferença porque não havia o total de madeira previsto em seu inventário. Segundo a empresa, ela errou ao superdimensionar o volume de madeira na área de operação, de 358 hectares.

A amostragem cobriu apenas 14% da área de 358 hectares. Foi um número acanhado e concentrado , diz Castro. Na verdade, teriam de ser cobertos 20%, que é de praxe, e em diversas áreas. O executivo afirmou que os funcionários foram afastados e uma empresa independente foi contratada para refazer o inventário florestal da empresa na região.

A Vale tem até 20 dias para entrar com sua defesa no Ibama. Esperamos que eles entendam o que ocorreu , disse Castro. O Ibama estranha a explicação. Já vimos erros de margens pequenas. Mas nove mil metros cúbicos?
(Bettina Barros | Valor Econômico)

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